O vocalista dos Titãs, Paulo Miklos, participou de um novo episódio do quadro Na Palma da Mari, do CNN Pop, e conversou sobre os bastidores da turnê Encontro, que celebra os quarenta de carreira da banda, além abordar a sequência do filme “Estômago”, que chegou aos cinemas na quinta-feira, 29 de agosto, e sobre o direito dos artistas se posicionarem.
Questionado se é uma responsabilidade dos artistas se posicionar ou não, Miklos respondeu que se trata de um direito, não de uma responsabilidade.
“Eu não acho que é uma responsabilidade do artista, eu acho que como cidadãos, temos esse mesmo direito. E se é um desejo, eu acho que deve se posicionar. E tem momentos que é inevitável que isso aconteça.
Quando você vê que a democracia está sendo atacada ou que tem um risco envolvido, é inevitável você se colocar. Tem muita gente que fala, principalmente os fascistas de plantão, ‘Não, você cantando é ótimo. Agora chega, não fala sobre isso’. E revoltados porque você falou alguma coisa.
Eu acho que o palco não deve ser um palanque para você ficar fazendo discursos, as próprias canções já dizem. No caso do repertório dos Titãs e do trabalho meu solo, eu tenho parcerias do disco anterior a esse que é o “A gente Mora no Agora”, super legais, também tem um peso, uma parceria com o Emicida, por exemplo; Uma canção muito legal, ‘A Lei Desse Troço’.
As canções falam por si, é como Adoniran Barbosa, não tem uma melhor maneira de tocar o coração das pessoas, do que a música e as canções, e o Adoniran faz isso, traz a gente para perto dos marginalizados, dos que estão à margem da sociedade. Você vê uma canção como ‘Saudosa Maloca’, por exemplo, é uma coisa maravilhosa como ele conta aquele causo, a gente se sente transportado até esses personagens e tem uma empatia, isso incita a gente a ter uma empatia especial por esses personagens, e aí já está sendo feito um trabalho incrível de quebra de preconceito, de aproximação, de ver a condição das pessoas.
Então quando eu canto Adoniram Barbosa é surpreendente como as pessoas se emocionam, como todas as canções têm uma visão social bonita do espaço da São Paulo que a gente conhece, que é o que ele conheceu e não existe mais, mas que continua sofrendo as mesmas mazelas. E ele faz isso com leveza, com muito humor. As canções são sempre trágicas, terríveis, tipo ‘Iracema’, a mulher que atravessou a rua e foi atropelada, são tragédias, mas o jeito como ele expressa, como ele coloca, ele envolve a gente, leva a gente para perto desses personagens e a gente se apaixona e tem uma empatia por eles.”
Ao falar de sua lembrança mais marcante sobre um momento da carreira dos Titãs que eles sentiram que precisavam se posicionar politicamente, Miklos disse:
“Tem vários. Eu sou autor de uma das canções mais polêmicas, que é ‘Vossa Excelência’, que é sobre os casos de corrupção, de você chegar em um momento de sua indignação ser tamanha que você coloca as coisas daquele jeito que só o rock and roll pode fazer. Tem a poesia, tem o humor, mas tem o grito também, a acidez do rock. Nos meus shows isso ainda existe.”
