Durante um bate-papo com Mateus Starling, o ex-guitarrista dos Engenheiros dos Hawaii, Augusto Licks, relembrou a época em que a banda estava começando a estourar no Brasil, mas em sua própria cidade natal, Porto Alegre, não tinha tanto reconhecimento quanto em outros lugares do Brasil.
“Os Engenheiros ainda era meio que santo de casa em Porto Alegre, porque a repercussão que a banda tinha em outros lugares do país, era muito maior do que em Porto Alegre. Teve um momento que a banda esteve muito popular, que justificaram alguns shows que fizemos em Porto Alegre no Gigantinho, foram alguns momentos assim. Agora, a gente tocou para públicos bem maiores fora de Porto Alegre.
São Paulo, Rio de Janeiro, Nordeste… Eu sentia que a facilidade de gostar da banda era maior fora do que no Rio Grande do Sul, ou fora de Porto Alegre.”
Augusto acrescentou que os Engenheiros tinham uma atitude diferente, de não querer se misturar com outras bandas. Além disso, a relação entre os integrantes não era boa. Segundo Augusto Licks, “não tinha amizade nem afeto.”
“Por um lado, o Rio Grande do Sul tem aquele negócio de orgulho ‘gente nossa que está fazendo sucesso’, então tem esse lado, esse sentimento, mas contrastava com esse outro sentimento de Porto Alegre de que é uma banda diferente das outras, que não se enturma com as outras. Havia essa atitude.
O Humberto não queria papo com outras bandas. Uma das características da banda era se diferenciar, não se misturar com as outras bandas, e tinha várias, DeFalla, Replicantes, etc.
Ele disse para mim que ele não podia ter amigos, eu respeitei e a gente continuou tocando por sete anos. Não tinha amizade, não tinha afeto. por que tem também um aspecto assim, eu acredito muito na diferença de idade, por eu ser de uma geração mais velha, e eu acho que isso foi útil para a banda, porque eu tinha uma tolerância maior do que eles teriam a meu respeito.
Então eu sabia meio que contornar algumas situações críticas e explosivas ali, para a banda não dançar. Por que eu estava curtindo a banda, nós estávamos fazendo coisas que eu queria fazer, eu queria tocar muita guitarra, sons que eu queria experimentar, tínhamos parcerias.”
Sobre a possibilidade de uma reunião dos Engenheiros, Augusto respondeu:
“Uma vez o Carlos Maltz me ligou, disse ‘Vamos reunir o GLM’. Fazia 25 anos que não nos falávamos. Eu me surpreendi e falei ‘A gente pode conversar, temos condições e eu estou aberto a isso’. Eu já estou muito velho para me incomodar com rusgas, mágoas, isso tudo eu não me permito mais. Mas tem que ter uma intenção de todos e essa intenção não existe.”
Maltz e o guitarrista Augusto Licks se reuniram recentemente após trinta anos sem fazerem nada juntos. Eles tocaram em show de Sandro Trindade, vocalista da banda Engenheiros sem CREA, uma banda que presta tributo aos Engenheiros do Hawaii.
