Durante uma nova entrevista, o ex-vocalista do Angra, Edu Falaschi, foi questionado sobre a reação dos fãs por sua colaboração com a banda de forró Calcinha Preta na música “Agora Estou Sofrendo/Bleeding Heart” e, de certa forma, furar a bolha do Power Metal.
Veja o que disse Edu Falaschi ao Plugado Podcast:
“Eu sempre fui muito honesto nas minhas declarações, eu sempre falei tudo o que eu penso, eu sempre falei… Inclusive, saiu um corte recente meu que viralizou pra caralho, porque teve um show do Angra que nós fomos fazer em São Paulo, acho que no Palace, antigo Palace e, eu cheguei de carro, o cara falou: ‘Entra por ali, para o carro lá.’ Quando eu fui entrar tinha um monte de fãs, só que eu cheguei com vidro aberto, som no talo, e era Sensação [grupo de pagode]. Aí eu cheguei, os fãs colaram e não deu nem tempo de tirar o som, o sambão lá, pesado, só que era uma música mais lenta, ‘O coral dos anjos cantou uma linda canção de amor…’ Uma puta música legal, só que os caras tipo, ‘Que isso cara? Como assim?’ [Risos]
Então assim, onde que eu queria chegar, como eu sempre fui muito honesto com a galera, eu sempre falei: ‘Mano, eu gosto de todas as coisas, eu nunca fui radical.’ Eu acho importante a gente ter essa diversidade em tudo, não tem que ter absolutismo em nada na vida, nada. Essa é minha opinião.
E aí, eu acho que eu sempre tive essa postura, até meio que brincando, então a galera é meio que de boa, entendeu? Então quando eu fui gravar com… [Calcinha Preta] Eles já tinham essa versão em 2004, 2003, não sei bem quando. É antiga a versão deles. Agora me chamaram para o DVD, e aí eu fui lá e eles disseram: ‘Canta em inglês.’ Eu falei: ‘Putz, ninguém vai saber o que eu estou cantando’. Só que eu cantei em inglês e, cara, quando entrou a galera junto, não dá, a cabeça buga. Por que mano, eu estava lá: ‘You tear into pieces my heart…’ e os caras: ‘Me fere, me risca de amor…’ [risos]
Aí dá aqueles conflitos assim, eu falei: ‘Cara, não vai dar.’ Só que eu nunca tinha cantado em português, e foi tipo, por osmose, eu aprendi de ouvir os caras cantando ali na hora o primeiro refrão, aí o Diau também estava cantando e falou: ‘Você.’ Ele canta em português e mandou pra mim para eu entrar no meio do refrão em inglês, aí na hora não tem como né, cara? Entrar na frase três do refrão em inglês?… Aí eu estava lá, e ele: ‘Você.’ E eu: Me fere, me risca de amor.’ [Risos] Aí foi em português mesmo e virou um negócio em português. [Risos]
Mas foi tranquilo, a galera é bem de boa comigo, a galera é bem aberta quanto à isso, é carinhosa pra caramba. E tem outra: eu vou além dessa parada. Hoje, aconteceu uma coisa inusitada, eu vou falar em primeira mão aqui, eu estava no estúdio mixando, finalizando a mixagem do meu DVD que vai sair, o Vera Cruz, com o Paulo Albino, que é um cara monstro sagrado da Mix/Master, aí um amigo meu, Marcos César, percussionista famoso, toca com todo mundo que você pode imaginar de gigante, médio, famoso, não-famoso, artistas de MPB, rock, faz-tudo, percussionista top. Se eu não me engano ele fez até com Phil Collins, para você ver o nível do cara.
Mas beleza. Eu estava lá, e ele falou: ‘Edu, você está aí? Você está de boa?’, eu disse: ‘Estou no estúdio, mixando.’ Ele: ‘Espera aí que eu vou ligar o vídeo aqui.’ Era o Gusttavo Lima [Risos]. ‘E aí Edu, beleza?’ Porque o Gusttavo Lima gravou minha música também, essa versão. Ele: ‘Pô, como você está? Eu estou aqui com o Marcos’, e tal. E eu: ‘E aí, Gusttavo, como você está?’. Isso agora, tipo, meia hora atrás.
E pô, gente fina pra caramba. Gente fina demais. E ele: ‘Pô, vem pra cá, você tem que vir aqui em Goiânia, vamos fazer um som.’
E cara, minha vida é isso, eu tenho amigos de todos os tipos, então a galera sabe que eu não tenho esse preconceito, então a galera é meio de boa assim, sabe? Eu gravei com o Milton Nascimento, gravei com Kai Hansen, com um monte de caras de vários estilos, e caras top. Eu não vou gravar com um artista que eu não goste, isso é um fato. Uma coisa que eu já falei em todas as entrevistas, eu não vou colocar no meu disco um artista para lacrar, entendeu? Um cara da moda X, e aí vou só, tipo… Se eu não gostar e não tiver nada a ver com a minha história, eu não vou botar. Não funciona comigo desse jeito, não.”
Assista a entrevista completa abaixo:
