Feriado Sangrento | Crítica

No último dia 07 de dezembro estreou nas salas de cinemas do Brasil, “Feriado Sangrento”, novo e aguardado filme do diretor americano Eli Roth, responsável por longas como O Albergue, Canibais, Bastardos Inglórios, Cabana do Medo, e outros.

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Lançado em um ano onde a dobradinha Suspense & Terror tiveram grande notoriedade durante quase todos os meses do ano, “Feriado Sangrento” chamou a atenção dos aficionados por filmes dos gêneros supracitados, e desde a primeira exibição de seu trailer lançado meses atrás prometia grandes sustos, além de um banho de sangue escorrendo na tela.

Enfim o grande dia chegou e com ele a classificação etária do filme que não é permitida para menores de 18 anos, o que provavelmente leve menos gente às salas, bem como seu lançamento aconteceu exatamente no mesmo dia do também aguardado “Wonka”, novo longa-metragem do diretor Paul King (VII).

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De cara é preciso dizer que “Feriado Sangrento” já estreou com duas pedras em seu sapato.

1-O peso da idade mínima, contribuindo assim para que a ala jovem (menor de idade) fiquem apenas na curiosidade e se distanciam das salas.

2-Disputar sua estreia com um filme que certamente levará muita gente às salas, provavelmente lotando sessões, enquanto lá fora uma nova fila de espera aguarda a próxima sessão (exatamente isso que presenciei).

Mas afinal, o que esperar da nova obra de Eli Roth, já considerada por alguns críticos como o melhor thriller de terror de 2023 ? Então, é exatamente sobre isso que iremos falar…

A história:

Enquanto os moradores de Plymouth, Massachusetts, aguardam uma nova liquidação de Black Friday realizada por uma grande loja de supermercado, algo sai do controle quando consumidores impacientes conseguem furar o cordão de isolamento invadindo o local, causando como consequências, saques, mortes e pisoteamento.

Um ano se passa sem que o supermercado seja responsabilizado pelas mortes ocorridas, e mesmo sob protestos a ideia de repetir a promoção mantém-se de pé. Porém, dois assassinatos brutais acontecem, e estas são apenas as primeiras de várias outras mortes que virão a seguir.

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A primeira vítima, uma garçonete (Amanda Barker) que tem seu corpo prensado e cortado ao meio por um carro, enquanto a segunda vítima (Jim Dilon) é um dos seguranças do supermercado que tem sua cabeça decepada. Vale lembrar que ambos estavam presentes no dia em que a tragédia aconteceu.
Logo, imaginamos tratar-se de uma vingança levada a cabo por algum familiar de uma das vítimas.

Após as duas mortes um grupo de adolescentes recebem via WhatsApp uma foto seguida de uma mensagem e um convite. Dentre os jovens está Jéssica (Nell Verlaque), filha do dono do supermercado (Rick Hoffman) escolhida pelo assassino como uma de suas próximas vítimas. Na foto, uma mesa posta com cadeiras e pratos reservados com o nome de cada um dos jovens, enquanto ao lado estão partes dos corpos da garçonete e do segurança da loja.

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O Assassino Mascarado:

Usando uma máscara, empunhando um machado e se identificando como John Carver, considerado pelos americanos como o pai do Dia de Ação de Graças, o assassino promete ir atrás de todos que, segundo ele, foram os responsáveis diretos pelas mortes durante a liquidação.

Um verdadeiro jogo de gato e rato tem início, e enquanto a polícia local tenta buscar pistas sobre Carver, mais vítimas são mortas de forma mais absurda possíveis.

Sem nenhuma piedade ou compaixão, tem início um verdadeiro banho de sangue, causado pelo machado afiado de Carver.

Ambientação:

O longa usa como pano de fundo o Dia de Ação de Graças, um dos feriados importantes para os nortes americanos (comemorado como se fosse nosso natal), onde as famílias se reúnem a fim de agradecer por todas as coisas boas que lhe aconteceram durante o ano. A data ainda é celebrada com muita festa e desfiles…

A propósito, é justamente em meio às comemorações do Dia de Ação de Graças, em plena luz do dia, que acontece mais um ataque do peregrino John Carver.

Cenas “gore”e violência desenfreada:

Seguindo os mesmos padrões de longas como Pânico, Sexta Feira 13, Halloween, Terrifier e Jogos Mortais, Feriado Sangrento explora o limite da violência em cenas onde às vezes o telespectador sente vontade de fechar os olhos.

Um exemplo claro dessa violência exacerbada e uma das cenas mais brutais do filme, acontece quando uma das vítimas é assada em um forno, como se fosse um peru de natal, e em seguida servida à mesa para que todos que ali se encontram (amarrados as cadeiras) provem do “prato principal”. Sem dúvidas, um dos momentos mais impactantes e perturbadores de todo o filme fazendo com que nosso estômago dê algumas reviravoltas, haja visto tratar-se de uma verdadeira aula de canibalismo.

Claro que as cenas de vômitos são óbvias entre os personagens, e lá no fundo até nós que estamos do lado de fora da tela sentimos o mesmo…

Semelhanças com clássicos do gênero:

Um detalhe que salta aos olhos, é justamente a concepção, e criação do personagem John Carver. Assim como em outros filmes do gênero onde as máscaras escondem muito bem o assassino, Feriado Macabro nos remete a longas como V de Vingança, Terrifier, Pânico, e o Telefone Preto, onde todo cuidado é pouco para que a identidade do assassino não seja revelada. Este cuidado, é justamente o grande trunfo do diretor que consegue se sair muito bem, mantendo todo o mistério intacto e sem nenhum deslize.

Desempenho dos atores:

Por ser um filme onde as fichas são apostadas na figura principal do assassino (no caso, John Carver), as atuações nem precisam ter um grande impacto, porém o time de atores contribui com seus papéis garantindo, e entregando boas interpretações de seus personagens.

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Crítica ao consumismo norte-americano:

Além de explorar a violência em seu limite extremo, Feriado Sangrento também atira contra o consumismo americanos, adicionando ao enredo um híbrido de terror, humor e uma dose de crítica social. Tudo isso regado com muito sangue.

Telespectador/Detetive:

De forma inteligente, Eli Roth deu uma grande tacada ao trazer o telespectador para dentro do filme. Eu explico!

Quando os assassinatos começam de forma desenfreada, logo somos conduzidos para dentro da história a fim de tentar adivinhar o mais rápido possível a identidade do vilão…

Dentre pistas óbvias, e os olhares fixos em cada gesto dos personagens, travamos uma luta intensa com nosso cérebro no intuito de descobrir antes que o filme acabe a identidade de John Carver. É como se o papel da polícia estivesse em nossas mãos.

Enquanto uma parte de nosso cérebro está ligada nos acontecimentos presentes, a outra tenta urgentemente buscar através de flashes, detalhes das primeiras cenas (aquela da invasão do supermercado) na tentativa de ligar os pontos, e finalmente matar a charada (sem sucesso).

O “convite” para que sejamos um detetive em busca de pistas, é justamente o ponto inteligente do filme, que consegue envolver o telespectador em sua teia, que por sua vez acaba não percebendo a duração do filme…

Posso dizer com toda certeza que as apostas em cima do assassino serão todas equivocadas.

Inteligente, o filme prende a atenção mantendo nossos olhos grudados na tela, ao mesmo tempo em que miramos nos personagens buscando em cada um deles um gesto, ou um pequeno deslize para que possamos enfim desvendar a trama.

Mas afinal o filme é bom?

É necessário soltar um sonoro SIM, e dizer que não seria nenhum exagero afirmar que “Feriado Sangrento” pode, e merece figurar ao lado dos grandes longas de terror/suspense lançados neste ano. Sendo assim, não seria exagero também dizer que é um forte candidato a ocupar o primeiro lugar na lista de Melhores do Ano na categoria terror.

A pedra no sapato:

Talvez a pedra no sapato de Eli Roth tenha nome: James Wan, e seu “Jogos Mortais X”, provavelmente o único filme com capacidade de atrapalhar a vida do diretor americano e o bom desempenho de Feriado Sangrento.

Vale aqui uma brincadeira a fim de saber quem melhor impactou os telespectadores com suas novas obras primas sangrentas.

Em um duelo para descobrir quem foi a mente mais insana de 2023, quem leva a melhor? Roth ou Wan?

Façam suas apostas!

Cotação: BOM

Nota do Redator: ao lado de Jogos Mortais X, Feriado Sangrento chega em um momento oportuno, preenchendo uma lacuna deixada por filmes que prometeram muito, mas que cumpriram pouco (ou nada).

Graças a mente brilhante/perturbadora (ou seria perversa?) de Eli Roth, voltamos no tempo, e revivemos nossos piores pesadelos. Aqueles onde Leatherface, Michael Myers, Pinhead, Freddy Krueger, Chucky, Jigsaw, Pennywise, Jason Voorhees, etc, foram os responsáveis por nossas noites em claro.

Eli Roth – Feriado Sangrento

A morte tem um novo nome: John Carver!

Redigido por Geovani “Gigio” Vieira.

Ficha Técnica:

Título Original: Thanksgiving

Ano Produção: 2023

Direção: Eli Roth

Roteiro: Eli Roth, Jeff Rendell

Data de Estreia: 7 de Dezembro de 2023 ( Brasil )

Duração: 107 minutos

Gênero: Mistério/ Suspense/ Terror

Países de Origem: Estados Unidos

Elenco: Nell Verlaque, Patrick Dempsey, Adam MacDonald, Addison Rae, Chris Sandiford, Gina Gershon, Jalen Thomas Brooks, Jeff Teravainen, Jenna Warren, Jordan Poole, Karen Cliche, Milo Manheim, Rick Hoffman, Tim Dillon, Tomaso Sanelli

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