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Black Pantera: “o cara abomina a existência da diversidade. Ele quer um branco, loiro de olho azul e falando de dragões”

Black Pantera o cara abomina a existência da diversidade. Ele quer um branco, loiro de olho azul e falando de dragões

reprodução / Youtube

Durante uma nova entrevista concedida ao Desce a Letra Show, o baixista do Black Pantera, Chaene da Gama, foi questionado sobre ser uma banda “preta” encabeçando um movimento antirracial dentro do metal, que na opinião do entrevistador, é tomado por “reacionários”.

Veja a declaração de Chaene, conforme a transcrição do site Be Geeker:

“A gente sofre muito ataque. A nossa existência já é uma afronta. O cara vê o nome da banda no lineup, ele não quer nem saber, ele quer xingar a banda e pronto.

E assim, cara, para fazer música para o Black Pantera, eu tive que aprender, por que eu aos 30 anos, quando a banda começou, eu não tinha o letramento racial que eu tenho hoje. O racismo estrutural me moldou de uma maneira que eu era muito superficial sobre o que diz respeito à minha própria raça, ao povo preto, à África, eu sabia muito pouco.

E quando o Charles começou com essa ideia de dar o nome da banda Black Pantera em homenagem aos Partido dos Panteras Negras, eu já conhecia, mas ‘vamos nos aprofundar mais? para falar com propriedade sobre o que é?’.

Então começamos a estudar e quando a imagem da banda sai, uma foto com nós três, e o Rodrigo usava uma máscara naquela época, isso já chocava. Tipo, a imagem é forte pra caralho. E o Charles fez as primeiras músicas, era um projeto despretensioso, a gente não tinha a intenção, mas aí começou a agregar muita gente, e muita gente começou a falar ‘leiam isso, ouçam isso’, e aí você já começa a ter uma outra visão, por que você tem uma visão muito eurocentríca de tudo, então não, ‘padrão é o caralho’, ‘a coisa tá linda, a coisa tá preta’ que outras pessoas já falaram, começamos a absorver isso e estudar mais sobre o continente africano, sobre quem foram os ativistas, as revoluções no Brasil e tudo o mais. E o discurso da banda começou a ficar mais forte e incisivo nessa questão de ser realmente uma banda antirracista.

E a galera foi agregando, por que relmente não tem. Existem sim, bandas pretas que fazem um corre hoje em vários estados, tem mas não chega. Pra gente chegar foi um puta trampo. Tocar duas vezes mais rápido, fazer um show duas vezes mais foda, mas sem ter as condições que os caras têm, sacou?

eu lembro que várias vezes eu já fiquei mal, as vezes ler um comentário, me marcam num post e dizem ‘toda força, Chaene da Gama’, e era alguma coisa falando da banda e a galera estava descendo a lenha… os reacionários, fascistas, racistas do caralho. Naquele momento eles me pegaram, falei ‘pô, velho, essa porra’… e até hoje quando a gente vai para algumas regiões do país minha mãe fica meio assim, e fala ‘cuidado, lá é complicado, tem muita célula neonazista’, eu falo, ‘mãe, quem vai no show da banda já sabe o que a gente pensa’. E os caras falam na internet, no show eles não trombam por que até a galera que vai nos shows já está com ânimos meio assim, e se aparecer uma dessas eu já disse que não sei nem o que vai acontecer se entrar na roda com essas ideias.”

Ao refletir sobre os ataques contra a banda, Chaene diz que eles nunca se referem às questões e habilidades musicais do trio, mas sim ao que a banda representa:

“O cara abomina a existência da diversidade. Ele quer que seja aquela parada, um cara branco falando de dragões, loiro e de olho azul, isso é o rock and roll que ele quer ver. É isso. E não é bem assim, né?”

Chaene relembrou quando ele começou a sentir vontade de tocar rock e as pessoas o questionavam do por que ele queria tocar rock sendo uma pessoa preta:

“Quando eu comecei a querer tocar rock, e eu ouvi rock a minha vida inteira, eu lembro que eu queria tocar baixo e ter uma banda de rock, e a galera falava, ‘mas você é um cara preto, e vai querer tocar rock?’ e eu falava ‘sim, porque?’ É isso, sacou? Nunca souberam a origem da parada. E aí a gente faz questão de frisar, ‘ gente vai ouvir Sister Rosetta’, e antes tem a questão espiritual dos africanos nos campos, entoando os cânticos através do Blues, que virou o Soul depois. A galera não entende que tudo tem origem na África, esses ritmos vieram da música africana, inclusive o rock. E eu quero fazer música pesada.”

Assista a entrevista completa:

A banda é composta por Rodrigo Pancho e os irmãos Chaene da Gama e Charles Gama.

Recentemente, o Black Pantera lançou o clipe da faixa “Perpétuo”. Confira abaixo:

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