Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, conversou com a Rolling Stone Brasil, e falou sobre a genialidade de Renato Russo, desde a época do Aborto Elétrico, admitindo que sentia inseguro quanto a sua capacidade como compositor em relação a Renato, que Dinho via como uma sombra na qual ele deveria se igualar e, como as coisas se transformaram quando ele conheceu seu parceiro de composição de longa data, Alvin L.
Acompanhe a declaração de Dinho Ouro Preto:
“Tem um período em que o Renato que ele se autodenomina “O Trovador Solitário”. E ele toca violão, sobe nos palcos onde ia tocar Plebe Rude, onde ia tocar punk rock, e ele toca violão, Eduardo e Mônica, Faroeste Caboclo e parte do repertório do Aborto Elétrico no violão.
As pessoas odiavam. Odiavam, xingavam… E ele ficava ali indiferente. E os nossos acampamentos em volta de Brasília, eram com o Renato tocando violão e cantando as músicas pra gente.
Eu via ele criar as músicas e eu tinha quase certeza que ele estava improvisando ali na minha frente. No entanto, para mim, a composição já era um processo cerebral, era uma coisa onde eu precisava me debruçar, eu fazia com muito esforço, e tinha a sombra do Renato.
Eu achava que eu precisava de algum modo igualar aquilo, ser similar àquilo, sabe? E eu levei muito tempo para entender que eu poderia ser eu mesmo. Mas durante muito tempo eu achava que eu era inadequado por não ser como ele. Eu era menos. Eu não entendia que podia ser diferente, eu levei anos para conseguir entender isso, até eu achar a minha própria expressão, o meu jeito de compor, eu achei isso encontrando o meu parceiro de composição, Alvin L., que compõe comigo desde 1989.
Foi ali que juntos, eu me encontrei. E há uma transformação ali em mim. Até então eu tinha uma dificuldade de tão envergonhado que eu ficava, e de tão desconfortável que eu me sentia na minha pele, eu tive dificuldade de olhar para as pessoas que tinham vindo nos assistir, embora o Capital já tivesse vendido centenas de milhares de discos. Mas eu tive dificuldade olhar no olho das pessoas.”

