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“Estaria todo mundo preso. Não durariam um CD”: Rodolfo Abrantes compara liberdade dos anos 90 com o presente

“Estaria todo mundo preso. Não durariam um CD”: Rodolfo Abrantes compara liberdade dos anos 90 com o presente

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Durante uma entrevista recente à 89 FM, a Rádio Rock de Goiânia, Rodolfo Abrantes, ex-vocalista dos Raimundos, refletiu sobre o atual cenário da música, especialmente o do rock. Ele afirmou que, hoje, as pessoas reagem com mais sensibilidade a determinados temas e que a cultura do cancelamento tenta impor limites sobre o que os artistas podem ou não dizer — algo que fere diretamente a essência livre do Rock and Roll.

Rodolfo também comparou o momento atual com o passado, observando que as bandas que fizeram sucesso nos anos 80 e 90 provavelmente enfrentariam críticas se lançassem hoje os mesmos discos que marcaram aquela época.

Confira a reflexão completa do músico sobre o assunto:

“Estaria todo mundo preso, não durariam um CD. Nem os Trapalhões sobreviveriam hoje. Ninguém sobreviveria hoje.

Existem pontos bons de ter ocorrido uma mudança, existem pontos bons. Por que se você olhar para trás, realmente, tinha assuntos que nós falávamos em tom de banalidade, de brincadeira, que ofendia muita gente que nunca botou para fora o quanto está sofrendo com aquilo. Talvez – principalmente a galera da minha idade olha para a juventude de hoje e diz: ‘ah é muito mimimi.’ Mas, talvez, a pergunta que fica é: será que hoje as pessoas não estão tão feridas que se você tocar em qualquer área da vida dela, dói pra caramba? Tipo assim, uma coisa é eu encostar no seu pé, tudo bem; mas se o seu pé estiver esfolado, com qualquer toque ele dói. E talvez as pessoas estejam em carne viva hoje, sabe? Qualquer toque machuca bastante. Então eu acho interessante a gente ter a sensibilidade de ser mais construtivo, mais edificante. Mas eu creio que a liberdade que a gente tinha naquela época, não era vinculada à maldade. A gente fazia porque achava engraçado e, por mais que os Raimundos falassem absurdos sobre mulheres, o show era entupido de mulher porque elas entendiam que era brincadeira. E entendiam a brincadeira. Não ficavam ofendidas com aquilo. Hoje em dia — eu li em um livro que o orgulho é o troféu da ofensa. Quando você foi ofendido, você levanta um orgulho que ninguém passa por ali. E hoje em dia as pessoas estão muito orgulhosas das suas ofensas. Eu acho que nós poderíamos olhar mais para dentro de nós mesmos e se perdoar e entender a nossa parcela de culpa, então a gente fica mais leve com todo mundo.”

Perguntado se ele se incomoda ao ouvir algum das músicas dos Raimundos hoje, Rodolfo Abrantes disse:

“Não. Eu não ouço. Quando eu ouço porque alguém manda um cortezinho ou você está em algum lugar e tocam, é engraçado. Antes de eu fazer as pzazes com o Digão, me causava um desconforto absurdo. Parecia que tinha uma briga… Depois que fizemos as pazes, eu acho engraçado.”

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