O ex-vocalista dos Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger, participou de um novo episódio do Perimetral Podcast da GHZ, e foi questionado sobre a polêmica recente com o vocalista Nasi, do Ira!, que após pedir que fãs bolsonaristas se retirassem do show banda em Contagem, Minas Gerais, fez com que a banda tivesse shows cancelados em quatro cidades do sul do país.
Veja a opinião de Humberto Gessinger sobre o assunto:
“Cara, eu gosto muito do Ira!, e acho que falar suas ideias no show faz parte não só esteticamente quanto politicamente, fale o que você quiser. Vaiar e aplaudir também faz parte do show. O que eu acho é que a coisa do boicote, não sei se eu sou paranoico, mas aí eu acho que já entra como falava Jânio Quadros: ‘Forças ocultas’, entendeu? Aí eu já tenho uma arquitetura desenhada para estigmatizar isso. Por que não me parece fora do normal um artista falar a sua opinião e gente gostar e não gostar.
E ainda mais quem acompanhou essa geração – como ela se fez… Tem gente que vê a arte como uma coisa decorativa, ele quer que você cante ‘Volare’. Eu pergunto o seguinte: as pessoas que vão ver o Ira!, estão a fim de ouvir ‘Volare’? Não, né? Agora, acho que vaiar e aplaudir faz parte do jogo. Eu tento não trazer isso para o palco, mas fico meio com ciúmes disso, entendeu? Eu tenho um pouco de ciúmes dessas coisas assim quando pintam os posicionamentos políticos.”
“As pessoas querem a música como papel de parede”
“O fato das pessoas ficarem bravas, indignadas porque o Nasi se posicionou, é gente que quer música como papel de parece, como se esses quadros todos que você compra a metro fossem arte. Você vai para um museu e pode ser surpreendido, por um cara que pegou mictório e botou no museu e mudou a história da arte. O segundo cara que botasse um mictório no museu não aconteceria nada, mas aquele foi o primeiro, entendeu? Eles são artistas.”
Questionado sobre seu “cíumes” e se isso é porque ele acha legal os caras que se posiocionam politocamente, mas ele mesmo não consegue ou tem dificuldade de fazer isso, Humberto explicou:
“Não. É porque eu acho que a música deve ser o que eu faço e deve ficar na frente, entendeu? Ciúmes de que essas coisas acessórias, e rolam para todo mundo, tomem a frente do que é o teu trabalho, e as pessoas comecem a não ouvir, e tal. Você não pode virar um surfista do teu próprio trabalho.”

