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Lobão: “O PT contratou um psiquiatra para me diagnosticar com demência”

Lobão: "O PT contratou um psiquiatra para me diagnosticar com demência"

Foto: Du Firmo/Divulgação

Durante uma nova entrevista para a revista Veja, o cantor Lobão refletiu sobre seu apoio de muitos anos ao PT atuando como um ferrenho militante e cabo eleitoral do Partido dos Trabalhadores, e explicou o porquê se tornou um crítico do partido e do governo. O cantor de 67 anos, comparou o clima político no Brasil nos últimos anos, com o futebol, uma espécie de Fla x Flu em um nível mais elevado. Lobão se tornou uma figura polarizadora sendo odiado pela “direita” e pela “esquerda”. Segundo Lobão nenhum dos dos dois espectros ideológicos conseguem admitir que tanto Bolsonaro quanto Lula são desonestos, e criticou o fanatismo que impera hoje na sociedade brasileira. Acompanhe a seguir a declaração do cantor:

“Quando eu tinha muita exposição, lá em 1988 ou 89, o próprio PT veio falar comigo. Eu nunca gostei do PT. Nunca gostei de política. Eu sempre achei detestável. Eu era muito perseguido pela polícia. O Sarney chegou a proibir um show meu em um estádio. O aparato político e judicial era o mesmo da ditadura. Nessa onda, eu pensei que seria melhor acabar com esse resquício de ditadura e aí entrava o paradigma: eu teria que apoiar o PT. Cheguei a participar de um comício para um milhão de pessoas e o Luiz Carlos Prestes segurou o microfone para mim. Você consegue imaginar isso? Eu perguntei: ‘Cadê me pedestal’ e ai veio aquela voz: ‘Sou eu, companheiro. Vai lá meu camarada’. E segurou o microfone para mim. Eu achei legal para caralho. Fiz colônia de férias do MST. Fui amigo do [José] Genoíno, um cara muito simpático. Mas tudo começou a desandar na eleição do Lula, em 2002. Vieram os rumores de corrupção. Quando a Heloísa Helena resolveu romper com o PT, eu fui com ela. Eu disse que achava uma palhaçada. Disseram que eu era tucano e eu nunca votei no Fernando Henrique. Mas a coisa degringolou mesmo quando passaram a distorcer coisas que eu fazia. Eu comecei a reagir e fiquei obcecado. O PT contratou um psiquiatra para me diagnosticar com demência.

Disseram que eu matei a minha mãe, que eu fui ‘assassino de mãe’. Uma coisa horrorosa. Pisaram no meu calo. Aí, quando chegou na Dilma, eu disse que iria atrás do primeiro que tivesse potencial de vencer o PT, que já estava há 16 anos no poder. Quando o Bolsonaro foi eleito, na primeira semana que já fiquei contra.

Agora, eu sou odiado pelos dois lados. E os dois lados são idiotas iguais. Não adianta conversar porque a coisa virou Fla-Flu. Virou paixão de futebol. Tem desonestidade intelectual dos dois lados. Os dois não admitem que os senhores presidentes são desonestos.”

Ele acrescentou:

“Vivemos uma coisa engessada. Vivemos um estado de fossilização ideológica. Quando eu percebi isso, pensei: ‘Estou no meio desse tiroteio entre duas facções que são absolutamente imbecis’. Eles são sectários, fanáticos e não adianta, não há razoabilidade. Você não vai conversar um milímetro tanto de um lado quanto do outro. Chegou um momento em que eu fui num botequim e uma pessoa me chamou de comunista, drogado e decadente. Veio outra pessoa e me chamou de fascista, drogado e decadente. Só mudava o preconceito. Eu desisti e fui fazer jardinagem, cuidar dos meus gatos e debruçar na minha produção musical, porque não dá para querer militar.”

Acesse a entrevista na íntegra: https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/sou-odiado-pela-esquerda-e-pela-direita-diz-lobao-sobre-politica

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