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Nando Reis: “estou desgastado e cansado dessa poluição de hostilidades. Estou de saco cheio de haters”

Nando Reis estou desgastado e cansado dessa poluição de hostilidades. Estou de saco cheio de haters

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Nando Reis segue divulgando seu novo álbum quádruplo intitulado “Uma Estrela Misteriosa Revelará o Segredo” com 30 canções, sendo que 26 delas são músicas inéditas.

Em entrevista ao Estadão, Nando Reis foi questionado se ele está indo contra o mercado ao lançar 30 músicas quase simultaneamente.

“É muito comum relacionar a produção musical com a forma como ela é consumida. Isso é tolo. Para mim, não é determinante. Quando eu produzo, componho, me atenho a um binômio que é elementar: criar e publicar. Obviamente, tenho que considerar o mundo no qual eu vivo e me relacionar com ele. Mas isso não determina a forma. Não penso: vou fazer música de três minutos, vou fazer música para o TikTok. Não! A obra de arte não pode supor sua perenidade a partir desses elementos tão transitórios. A obra de arte se sustenta por meio do pensamento e da sua manifestação formal que, no meu caso, é a composição e sua resolução sonora que vai ser percebida e admirada – ou não, pois isso foge ao meu controle.”

Em seguida, ele acrescentou:

“Eu nasci comprando fitas cassetes e indo a shows. De certa maneira, nada mudou. As músicas são compostas, as pessoas as ouvem no rádio, na televisão, na internet, e, se gostarem, vão ao show. No fim das contas, elas querem uma melodia para assobiar. Eu só sei fazer isso. E é isso que eu gosto de fazer. E posso fazer. Tenho uma carreira consolidada, um público que se renova, que me permite sobreviver. Sou um artista independente. Tenho o controle de decisão sobre aquilo que eu queira ou venha a fazer.”

Nando afirmou que faz música para consumo:

“Eu faço música para consumo. Quando eu a publico, espero que ela seja consumida. E eu dependo desse consumo. Eu preciso ser remunerado. E o que se paga no streaming é uma vergonha, ultrajante. Mas eu me mantenho, desde sempre, com meu parâmetro crítico, que garante a qualidade do meu trabalho. O que justifica eu publicar uma música é que ela me agrade. Preciso me interessar pelo o que faço. Acreditar. Essa crença advém de uma fidelidade que tenho comigo. Me interesso, olho para o entorno, mas não me envolvo a ponto de absorver essas transformações. Não quer dizer que eu seja melhor. Eu sou assim.”

Sobre a Inteligência Artificial na música, Nando declarou:

“Eu nem sei como essa porcaria funciona. Mas, sei lá, ouve-se toda a minha produção e compreende-se os intervalos da minha melodia, das palavras que uso, e faz-se um simulacro da minha produção. Como um profissional afetado desde o começo da era digital pela falta de regulação e legislação, sob o ponto de vista dos direitos autorias, acho insano que haja mais interesse na produção do que no controle do quanto esse método pode afetar as pessoas que dependem da música. Eu trabalho e sou mal remunerado. Eu e todos os artistas. E, mais, toda a cadeia. Porque se o artista é mal remunerado, ele paga mal a músicos e técnicos. Não sou um commodity. E, se fosse, deveria valer mais.”

Ele também falou sobre a sua relação com a melodia:

“Ah, é o que me encanta, o que busco. Creio que é algo que faço direito – só nunca vou dizer que sou o melhor, porque não colocaria dessa forma. Ademais, no meu trabalho, ela está presente na relação com a letra. Meu pensamento melódico está relacionado com a rítmica do meu próprio pensamento, a como as ideias se organizam na minha cabeça, a como me movimento. Tudo é uma coisa só. Então, de novo, a inteligência artificial pode até achar que vai fazer uma música semelhante a que faço, mas nunca vai saber andar como eu ando. A música que eu faço precisa da forma como eu me levanto, caminho, escovo os dentes… Então isso tudo é a fonte da minha produção.”

Sobre a melodia na música nos dias atuais, ele disse:

“Eu evito um pouco me manifestar. Primeiro, porque parece algo de avaliação. Nunca pensei assim. Acho tudo bom. Não cabe a mim dizer o que é bom ou ruim. Não me interessa dizer qual é o meu gosto. Serei mal interpretado, é até antiético. Há músicas que me sensibilizam mais, que são mais afeitas ao meu gosto. Vejo com bons olhos e felicidade que haja grande produção, público para todo mundo. É estimulante. É uma forma de nos mantermos vivos. Temos que combater a oposição e hostilidade – o que ficou muito evidente no governo anterior – à classe artística, à importância do pensamento original, à diversidade e à variedade. Há uma coisa horrível na onda conservadora que é estabelecer um padrão. Cercear a variedade, acusando-a com moralismo.

Nando Reis é indagado se ele acredita que ao criticar algo, ele estará contribuindo para que essa hostilidade cresça ainda mais:

“As minhas afirmações estão presentes no meu trabalho. Claro, falo, me posiciono. Mas, nesse aspecto, não. É preciso tomar cuidado atualmente. Tudo são faíscas, pequenos recortes. Estou desgastado e cansado dessa poluição de hostilidades e contraposições. É inócuo. Quero distância dessa violência. Estou de saco cheio de haters. O que quero é espaço para todo mundo. E, novamente, quero que todo mundo seja remunerado de forma justa, que o compositor não seja massacrado pelos algoritmos. E combater esse monopólio das big techs, essa estupidez que está pautada no ‘pode tudo’, de que não há legislação. Isso é uma bazófia, falácia. Um sistema de manutenção de monopólio. Está na raiz de toda a falta de justiça social, de distribuição de renda e do capitalismo.”

Por fim, confira um pouco do novo trabalho do Titã Nando Reis:

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