Recentemente, durante uma nova entrevista ao Diário do Grande ABC, o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, levantou o seguinte questionamento: por que o tema da eutanásia não é amplamente discutido no Brasil?
A eutanásia, ou a prática de abreviar a vida de um paciente com uma doença incurável e dolorosa, é um tema altamente sensível e controverso no Brasil. Historicamente, há uma certa resistência da sociedade brasileira em debater e legalizar a eutanásia, refletindo uma confluência de valores culturais, religiosos e éticos.
Vale lembrar que a esposa de Andreas, Patricia Prissinoto Kisser, faleceu em 2022, vítima de um câncer de cólon.
Após o período de luto, o guitarrista compartilhou com o público toda a sua experiência pela falta de informação sobre mortes, luto e cuidados paliativos. De acordo com Andreas, esses assuntos precisam ser mais discutidos para que as pessoas consigam passar pela experiência de perder um ente querido da melhor maneira possível e, oferecer a pessoa gravemente doente, em quadro irreversível, uma passagem em condições dignas.
Além disso, Andreas não encara a morte como uma punição, “ela acontece para dar sentido à vida”.
Anteriormente, em entrevista de 2023, ele disse a Marcelo Tas:
“O tempo é um conceito muito doido. As vezes ele é amigo e ajuda, outras vezes é terrível e te massacra. O luto é um processo. E eu tenho passado por todos eles. Tem dias difíceis, outros são melhores, mas sempre evoluindo.”
Durante uma nova conversa com o Diário do Grande ABC, ao comentar sobre o planejamento da turnê de despedida do Sepultura, Andreas relembrou a morte da esposa e as dificuldades que teve de enfrentar naquele momento:
“Pois é, começou há uns dois anos. Antes de a gente fazer o anúncio (do encerramento da banda). E depois foi um processo bem pensado e tranquilo. Acho que a pandemia tem um pouco a ver com isso, dessa coisa de encerramento de ciclos e você procurar novas possibilidades. Uma porta que se fecha e dez outras se abrem. A minha esposa também faleceu há dois anos, de câncer, foi um processo difícil… Um ano e meio desde o diagnóstico até ela falecer. Os últimos dias foram muito difíceis, todo aquele aspecto do cuidado paliativo. Por que que não se fala de eutanásia nesse País? Por que a gente não conversa sobre a morte em geral? Acho que tudo isso que eu passei tem muito dessa coisa de acabar, e de respeitar a finitude. A gente acaba com vários ciclos todos os dias de nossas vidas praticamente, e você tem novas possibilidades e novas experiências. E acho que eu vejo mais por isso, é um processo de agradecimento realmente pelos 40 anos de uma banda, de uma história maravilhosa, a gente está no melhor momento, muito organizados, e vamos parar conscientemente, tranquilos e em paz com essa decisão. Falei individualmente com todo mundo para ter certeza mesmo se era isso, e acho que é a melhor coisa que a gente pode fazer. Os shows estão sendo muito emotivos, estamos vendo como o Sepultura é importante na vida de cada um e como os fãs são importantes na nossa vida e são esses 40 anos que a gente está aqui graças a isso, a esse relacionamento de altos e baixos, mudanças dentro da banda, mudanças tecnológicas, e mesmo assim, tocando pelo mundo inteiro, em mais de 80 países que a gente já visitou, sempre crescendo, sempre trabalhando com o presente. Acho que respeitar a finitude, respeitar finais de ciclo, é a coisa mais saudável que tem, a morte tem sido para mim a minha maior professora, me deu uma nova vida. E em relação ao Sepultura é muito isso também, a gente tá se sentindo jovem apesar dos nossos 40 anos de história. Tenho uma motivação para começar outros projetos, para trabalhar com gente diferente e levar minha música para outros lados. Isso é cultura, não vai acabar nunca, o Sepultura tá aí, os discos vão continuar, mais projetos envolvendo a banda, é um processo muito saudável sabe.”
Dessa forma, em homenagem à Patricia Kisser, surgiu o movimento “Maetricia”.
A ideia do projeto é falar abertamente sobre a morte e trazer discussões públicas sobre temas como acesso aos Cuidados Paliativos, Testamento Vital, Autonomia no fim da Vida e Morte Digna.
Por fim, para mais informações, siga o Instagram oficial “Maetricia”: https://www.instagram.com/movimentomaetricia/
E então, qual é a sua opinião sobre este tema?

