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Titãs: “Jesus Cristo é progressista”, afirma Charles Gavin

Titãs Jesus Cristo é progressista, afirma Charles Gavin

Foto: Ana Paula Amorim

O baterista dos Titãs, Charles Gavin, participou de uma bate-papo no canal Pitadas do Sal, e relembrou detalhes da gravação do álbum “Cabeça Dinossauro” de 1986, além de comentar sobre as faixas do disco. Ao falar sobre a música “Igreja”, composta por Nando Reis e que recebeu muitas críticas de religiosos na época. Charles Gavin disse:

“Ela se encaixou perfeitamente no repertório. E esse repertório não foi programado, nós não pensamos, “Vamos fazer um disco para bater em tudo o que está ao nosso redor.” Não.

“Eu me lembro de algumas composições já existirem, já apontarem para um determinado lugar e um certo perfil que o disco viria a ter.

“Lembro do Nando retornando com essa música, e o Nando sempre foi ateu. Então essa é uma música de uma pessoa que é ateia, que não acredita na instituição da Igreja ou qualquer tipo de crença. Mas ele decide bater mais na Igreja Católica, e poderia ter batido em outras religiões.

“Ele decide bater mais Igreja Católica e, seu não me engano, houve alguns acontecimentos… O prefeito de São Paulo na época era Jânio Quadros, que tinha todo esse conservadorismo que existe no Brasil até hoje e está na moda atualmente, isso existia em São Paulo, e esse prefeito representava isso, esse conservadorismo.

“Eu lembro dele proibir o filme ‘Je vous salue, Marie’, do Godard, e me lembro da Igreja Católica em São Paulo entrar nesse episódio, e tiveram outros episódios lamentáveis de repressão, de conservadorismo e, alguma coisa atrelada ao Vaticano. Hoje eu sou fã do Papa, esse papa que está lá, o Papa Francisco, eu acho ele um cara incrível. Sou fã desse cara.

Mas, o cara que estava antes dele, o Bento, era execrável, um sujeito horroroso que não deveria falar no nome de Jesus cristo que é um cara progressista. Jesus Cristo é progressista, se vivesse nos dias de hoje, ele enfrentaria problemas… Com os próprios seguidores, porque ele é um cara progressista, de ideias progressistas.

“Segundo a própria bíblia, é um cara incrível, se você seguir os ensinamentos dele, assim como de outros líderes espirituais… É porque não segue o que ele, pelo contrário, distorce que ele falou.

“Eu sou fã de Jesus Cristo. Eu não sou fã de religião. Eu sou fã dos grandes mestres, e ele é um deles.

“Mas o Nando não acreditava, e o problema dele não era nem com Jesus Cristo, era mais com esse conservadorismo da Igreja, e ele fez essa letra que é até divertida em alguns momentos, que ele fala, ‘Eu não acredito na missa das seis’, coisas divertidas assim, tinha missa das seis no rádio… Então o Nando retrata nessa música as questões da Igreja Católica dessa vertentes conservadoras, porque temos a vertentes progressistas da Igreja Católica. Essas vertentes conservadoras são o pano de fundo dessa canção.”

Em plena década de 80, o Brasil estava saindo de um período de ditadura militar, e a sociedade estava passando por transformações intensas. Os Titãs conseguiram traduzir todo esse caos e insatisfação em música, misturando punk, rock e uma pegada experimental, com letras que falavam de temas como repressão, política e a relação com a autoridade no álbum “Cabeça Dinossauro”.

Esse disco é bruto, visceral e ousado, com faixas como “Polícia”, “Igreja” e “Bichos Escrotos” que, além de críticas afiadas, trazem uma energia quase anárquica. O álbum não só marcou pela rebeldia, mas pela qualidade musical que os Titãs apresentaram ao incorporar diferentes influências, desde o punk até o funk, criando um som original e marcante. Isso tudo fez de “Cabeça Dinossauro” um ponto de referência no rock nacional.

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