O cantor Lobão discutiu com João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, se o rock é apolítico, de direita ou de esquerda, durante um bate-papo que aconteceu em maio deste ano, durante um episódio do “Superplá”, dos Estúdios Panelaço, um canal de podcast do João Gordo.
Ele também relembrou de seu apoio a Bolsonaro e falou sobre seu envolvimento com o PT e o governo Lula.
“O artista brasileiro é basicamente de esquerda. Você é obrigado a ser de esquerda, e eu não sou de esquerda e não sou de direita, eu não sou ambidestro, eu não sou porra nenhuma. Mas eu eu fui muito envolvido com Lula e o PT, com MST, com tudo isso.
Agora, eu tenho trânsito livre, cara. Eu não vou me botar em caixinha, sabe? E não vão me botar em caixinha. Então, naquele momento, eu nunca fui fã do Bolsonaro, mas naquele momento eu queria destruir o PT. Eu queria destituir o PT de uma continuidade.”
Gordo o questiona sobre ter apoiado o “fascismo” para combater o petismo, e ele responde:
“Eu não estou nem aí se é fascista, se não é fascista, eu achava que eu tinha que dar uma chance à essa nova direita que estava toda misturada, por que eu chegava neles e falava, ‘olha, golpe militar não’, eu dizia , ‘olha, se vocês querem construir uma direita moderna, vocês têm que se separar desses caras aí ‘[os radicais], então eu estava falando isso. Só que ninguém conseguiu fazer isso. Eu não tenho nada haver com tradição, família e propriedade, eu fui perseguido por isso durante toda a década de oitenta, então não tem lógica nenhuma.
Mas existiam intelectuais, pessoas interessantes ali naquele meio que queriam reinventar a direita. Chegou uma hora que eu falei, ‘cara, eu detesto política, eu não suporto política, eu não gosto de direita e esquerda, política só reúne as pessoas mais estúpidas possíveis, pessoas que só querem te enclausurar em pré-julgamentos, e te reduzem a caixotinhos, entendeu?’.
E outra coisa, eu ficava puto quando alguém dizia ‘rock é de esquerda’. Rock não é de direita nem de esquerda, por que o rock é uma expressão musical. Vocês não podem fazer isso. E como Qualquer expressão musical, o rock está muito além, por isso que eu há quatro anos desisti de falar de política.”
O músico acrescentou:
“Hoje, a esquerda me xinga de fascista e a direita me xinga de comunista.”
Gordo disse que a audiência iria criticar a presença de Lobão no podcast, e o cantor disse:
“Sim, mas aí cai na coisa do cancelamento. Cancelamento é a arma do medíocre. E as pessoas precisam entender que este tipo de comportamento em que ‘você é isso, você é aquilo’, está criando um apartheid e uma estagnação social-cultural. Por que tudo se quer cancelar, então isto está empobrecendo o cenário através de um cultivo de rancor, e de um rancor ideológico. Eu acho ideologia uma merda.”
Veja também uma outra entrevista em que o cantor declara seu sentimento pelos metaleiros. Clique aqui.
