Roberta Medina: “meus irmãos sempre trabalharam com a gente, mas eu que fiquei com o Rock in Rio. Quem estava cuidando do ouro do Roberto era eu “

Durante uma nova entrevista concedia a Forbes, Roberta Medina, vice-presidente executiva da Rock World, empresa responsável pelo Rock In Rio e pelo The Town, fez um balanço sobre sua trajetória como ao longo dos 40 anos do maior festival de música do Brasil. A empresária de 46 anos declarou:

“Foi bastante desafiadora, mas provou que os sonhos valem a pena. Aquilo que, em determinado momento, você chama de prejuízo, se você segue em frente, pode virar investimento. Esse caminho mostra que seguir em frente faz sentido e vale a pena. É um projeto que exige muito pessoalmente de todo mundo que está envolvido, mas que dá esse retorno e mostra que o mundo pode ser melhor para todo mundo, sim.

Minha jornada foi muito acelerada. Tem dias que quero jogar tudo pela janela e outros que volto apaixonada. Empresa familiar tem seus desafios, é muito intenso. Meu amadurecimento foi trocar o pneu com o carro andando em um negócio desse tamanho. De fora, parece tudo bonito, mas eu bati muito a cabeça. Tive momentos de querer ir embora e não ter maturidade para lidar com coisas que estão acontecendo. Você sofre mais, mas valeu a pena.”

Questionada sobre foi como crescer no meio empresarial sendo uma mulher e filha do empresário e publicitário Roberto Medina, fundador do Rock In Rio. Ela disse:

“O desafio é ser levada a sério. O preconceito externo é que você está ali só porque é filha. Com certeza, só estava ali naquele momento porque eu era filha, é o cartão de visita. Mas existe esse desafio inicial de provar que você existe por si só e tem algo para acrescentar, além de ganhar o respeito das pessoas. Você não começa do ponto neutro, começa devendo porque você furou os caminhos.

Em casa, tinha aquela cena do que os meninos podem e as meninas não podem. Mas, curiosamente, na hora que foi para trabalhar, quem estava cuidando do ouro do Roberto era eu. Meus irmãos sempre trabalharam com a gente, mas eu que fiquei com o Rock in Rio.

Vivi um pacote de preconceitos, só que eu estava empoderada para encará-los. A coisa mais valiosa que meu pai fez – e que também teve seu preço – foi me jogar para os leões. Se ele tivesse ficado atrás respondendo por mim, eu nunca ia ter tido espaço para me colocar.”

Roberta Medina fez um resumo de suas funções atualmente:

“Hoje, como mãe, estou fazendo escolhas. Me identifico muito mais com o ritmo de vida em Lisboa do que no Brasil, o que fez eu ter que abrir mão de uma parte executiva por aí. Tenho a área de sustentabilidade em todos os países, a liderança de Portugal e, no Brasil, estou no board da empresa e tenho uma função de reputação de marca, que me dá liberdade para interagir com todas as áreas.

Quando chega o evento, fico com a área de comunicação de risco: se deu ruim, chega em mim. Sempre fico com umas maluquices e, agora, vou herdar mais uma etapa de um projeto focado na Amazônia.

O grande desafio é saber com qual boné você está falando: de executiva, sócia, board, mãe. Tem hora que são todos juntos e misturados, porque, afinal de contas, somos uma só.”

Roberta contou como consegue atrair as novas gerações para o Rock In Rio:

“A gente trabalha para o público. Com esse foco, conseguimos acompanhar as tendências. Quando você escuta seu público, já vem a informação do que você tem que entregar e inovar. Está na nossa natureza. Nosso legado é essa insatisfação permanente que faz a gente ter um compromisso constante de que a próxima edição vai ser sempre melhor que a anterior.”

Leia a entrevista completa aqui.

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