A cantora Pitty, ao relembrar os primórdios de sua carreira no rock ainda como uma jovem adolescente tentando encontrar seu lugar no mundo e buscando uma forma de se expressar através da música. Pitty também relembrou a fase de tocar covers de bandas de rock nas festas do condomínio.
Em entrevista a Jean Dollabella, que atualmente é o baterista da cantora e sócio-fundador do estúdio paulistano Family Mob Studios, ela falou sobre a época em que estava começando a se conectar com a cena e conhecendo inúmeras bandas de rock do Brasil. A cantora relatou como foi a transição entre tocar covers e começar a fazer som autoral.
“Nessa época, nós éramos muito mais chamados para tocar em festas de condomínio, porque a gente tocava covers de bandas de rock, e é muito mais fácil você chegar num lugar tocando músicas que as pessoas conhecem… Esse era o caminho mais fácil.
“Às rolava uma dúvida, ‘Ah, mas a gente só quer tocar, então vamos parar de tocar as músicas de rock dos bailinhos’, porque a gente queria tocar no bailinho.
“Mas eu comecei a botar pilha pra gente compor e eu queria gravar uma demo, e eu já estava com uma onda de conhecimento da cena e já me conectando com outras bandas do Brasil, principalmente porque neste caminho eu encontrei fomentadores muito importantes, um deles se chama Rogério “Big Brother”, um cara de Salvador, um fomentador da cena cultural, apaixonado por música, depois virou produtor de eventos, de bandas e de tudo, mas na época era simplesmente o Gordo, meu amigo, que me apresentou milhões de bandas, como Bad Brains, por exemplo, ele me mostrou X-Ray Spex, que me tirou daquele lugar do hardcore só 1-2-3-4, e me colocou num lugar de uma banda de hardcore que tocava reggae, e que eram negros.
“E que me botou num lugar de uma banda de hardcore que tinha uma menina cantando e que tinha sax no meio da parada, que é o X-Ray Spex. Então eu comecei a ficar cada vez menos xiita, tipo, ‘Vamos botar uma parte de jazz no meio dessa música aqui… Vamos colocar não sei o que’… Só que isso nem sempre era bem visto, porque por incrível que pareça, o rock, o harcore, deveria ser uma parada super libertária, e às vezes não é.
“Quando você tenta fazer um bagulho diferente, ‘Está traindo o movimento’ e mil coisas. E eu já estava sentindo que… ‘Cara, eu não vou me contentar em ficar nesse quatro por quatro, não vai rolar. Eu preciso de mais.
“Eu já estava apaixonada por jazz, por música instrumental, e quando eu entrei na faculdade de música… Ferrou! Porque eu comecei a entender ritmo composto… Aí pronto.”
Assista a entrevista completa abaixo:
