Durante uma recente entrevista concedida ao Desce a Letra Show, o baixista do Black Pantera, Chaene da Gama, discutiu a respeito das bandas que sempre foram politizadas, mas que alguns fãs parecem só estarem percebendo agora, após a politização que vem rolando nos últimos anos.
O nome do Black Pantera é uma homenagem ao Partido dos Panteras Negras, um movimento político e social negro dos Estados Unidos, fundado em 1966 por Huey P. Newton e Bobby Seale na cidade de Oakland, Califórnia. O partido tinha como objetivo combater a violência policial e a opressão racial, além de promover a igualdade de direitos para os afro-americanos.
“Cara, isso é muito doido. Essa galera que reclama, inclusive os antigos, eles reclamam do Pink Floyd, do Roger Waters, reclamam do Rage Against The Machine, ‘Ah o Rage Agains The Machine não sei o quê…’, você fala: ‘Velho, os caras fizeram som a vida inteira, os caras são comunistas literalmente. No que significa palavra, os caras são. ‘Ah, mas antigamente… Antigamente o que? Olha o tamanho da estrela que tem na capa do disco dos caras, velho!’
Mas a galera não entende. Tem muita gente que realmente gosta do som da banda, e várias vezes acontece: ‘É, mas quando vocês começaram vocês não eram tão politizados…’ Como assim? Só de ser uma banda preta já é uma banda politizada, meu irmão!
Na escolha do nome já está politizado, não tem dessa. Cara, e assim, realmente tem isso. Tem uma galera que vai na encolha, tem uma galera que gosta só dos riffs de guita, gosta do baterista, ok. Mas não vem me encher o saco, não vem querer podar as nossas opiniões. A banda tem um cerne, e ela tem um objetivo que está mais do que ‘escuro’, imprimindo a gente. É a primeira coisa: somos uma banda preta antirracista, se você tem qualquer tipo de preconceito pode ir embora. É o básico.
Se o cara quer estar lá, ele vai ficar, vai ouvir, as músicas estão lá, ‘Fogo nos Racistas, ‘Padrão é o Caralho’, ‘Perpétuo’, todas músicas falam de pretitude ao extremo. É a nossa forma de combater.
Nós somos menos de 1% do que deveria ser a sociedade como um todo. Mas seguimos, independente se você aceita ou não, o Black Pantera é isso.”
O power trio lançou seu novo álbum “Perpétuo” em 24 de maio. O quarto álbum da banda foi gravado durante 14 dias no estúdio carioca Tambor e contou com a produção musical de Rafael Ramos.

