O cantor baiano Carlinhos Brown esteve no centro de um momentos mais lembrados da história do Rock In Rio na edição de 2001, diante de um público roqueiro hostil que lhe atirava garrafas enquanto cantava.
Entre as principais atrações estavam o Guns N’ Roses, Iron Maiden, Red Hot Chili Peppers, Oasis, Foo Fighters, Silverchair, R.E.M., Sting, entre outros.
Em uma entrevista ao programa Pânico, Carlinhos foi questionado sobre o comportamento da plateia naquele episódio. Indagado se ele aquilo seria um reflexo da sociedade sectária em que vivemos nos tempos atuais, ele respondeu:
“No caso do Rock In Rio era necessário, porque eu também provoquei aquilo. Eu sou um provocador. Eu precisava provocar aquilo.
Quando eu cantava ‘segue o seco sem sacar que o caminho é seco, sem sacar que o espinho é seco, sem sacar que o seco é o ser sol’, eu estava falando da desertificação. De um País que chove, como choveu em São Paulo, e todo mundo fica: ‘São Paulo está inundado’.
“Opa! Pior do que isso é não carrear essa água que nos oferecem. Nós precisamos de um movimento de carreamento para aproveitamento de água. Isso é muito difícil. Eu carreguei água na cabeça a vida inteira para ajudar meu pai e minha mãe.”
Segundo Carlinhos Brown, independente do ocorrido, ele estava no lugar certo naquele momento:
“O que o rock fala é sobre atitude. Eu estava no Rock In Rio, estava no lugar certo.
O que os rockeiros fizeram? Me fizeram conhecido no mundo inteiro. Só que o rockeiro não esperava que anos depois esse mesmo movimento me traria para o Sepultura e faríamos um crossover para o heavy metal.
Ninguém pode se prender a um estilo. Esse é um País de diversidade, de compreensão.
Um ‘mundo melhor’ [tema do Rock In Rio 2001] às vezes precisa ser comunicado diferente, às vezes pela dor. Eu estava pronto para aquilo. Pedia que jogassem. Eu via que ‘nego’ estava com sede…”
De acordo com o idealizador do Rock In Rio, Roberto Medina, o festival é um espaço democrático:
“Sempre procurei diversificar. Tivemos axé, Elba Ramalho… Com a dimensão da música sertaneja, do trap e do funk cada vez mais presentes no streaming e na mídia, é natural que o Rock in Rio, sendo um evento democrático, busque representar esses ritmos.
O festival é uma festa, nunca foi um festival só de rock. Às vezes, o nome gera um pouquinho de confusão, né? Na época que eu criei, rock não era só um estilo, era um estado de espírito, uma coisa meio disruptiva. Essa conversa de que só tinha rock no festival e não tem mais é uma lenda urbana.
É como acontece com a convocação da seleção brasileira. Sempre tem crítica, sempre tem gente falando que algum jogador está faltando, que outro está sobrando…”
