A mãe do falecido cantor Cazuza, Lucinha Araújo, conversou recentemente com o Canal Brasil e relembrou da época em que o filho era somente um menino perdido tentando encontrar seu lugar no mundo.
“O Cazuza não era bom estudante, mas se interessava por geografia e história. Ele lia romances com o atlas do lado para saber onde os protagonistas estão andando. Ele gostava de desenhar cidades. Pensei que ele seria arquiteto. Só comecei a notar que ele era diferente depois dos 15 anos. Ele era uma criança calma e que não deu trabalho.
Eu falava para ele ir para a rua andar de bicicleta e parar de ficar dentro do quarto. Ele foi para a rua! Diz ele que quando ele fumou o primeiro cigarro de maconha ele mudou. Viu que ninguém podia mandar nele e ele podia pensar e fazer o que quisesse. Descobriu quem era. Ele estava naquela idade perdido e procurando algo. Primeiro, ele foi estudar arte dramática em Londres. Depois, foi para os EUA, na Universidade de Berklee, fazer fotografia”.
Carreira:
Cazuza começou a ganhar notoriedade nos anos 80 como vocalista da banda Barão Vermelho. Canções como “Pro Dia Nascer Feliz” e “Bete Balanço” se tornaram hinos de uma geração que buscava novas formas de expressão e contestação.
Em 1985, decidiu seguir carreira solo, que lhe rendeu sucessos como “Exagerado” e “Codinome Beija-Flor”, que consolidaram sua reputação como um dos maiores poetas do rock brasileiro.
A vida pessoal de Cazuza, no entanto, foi marcada por um relacionamento tumultuado com as drogas. O consumo de drogas, junto com um estilo de vida desregrado, refletia-se em suas letras cruas e por vezes sombrias.
Em 1989, o cantor revelou ao público que era portador do vírus HIV, uma confissão que chocou o Brasil e o mundo. Cazuza faleceu em 7 de julho de 1990, aos 32 anos, vítima de complicações decorrentes da AIDS.
