Engenheiros do Hawaii: “Fico honrado que eles tenham saudade, mas eu não tenho. Pra mim seria entrar numa gaiola, onde estão me dando alpiste, me dando água”, diz Humberto Gessinger

Em nova entrevista ao Estadão, o ex-vocalista dos Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger, descartou qualquer possibilidade de uma reunião com Augusto Licks e Carlos Maltz para celebrar o legado dos Engenheiros.

Questionado se ele se sente pressionado de alguma maneira devido ao anseio dos fãs por uma reunião, Humberto respondeu:

“Não sinto pressão. Cada vez que as pessoas conhecem mais o trabalho que estou fazendo, menos forte fica esse ruído. Foram 7 anos da minha carreira, legais pra caramba, mas ela tem 40 anos. Não tenho problema de falar sobre isso, é que se eu me aprofundar, vou estar comparando colegas de várias gerações, e eu não quero comparar, acho isso extremamente deselegante. E outra coisa que acontece é que me colocam em uma posição esquizofrênica de me comparar a mim mesmo. É mais pressão comercial do que artística.”

Humberto revelou que não recebeu nenhum convite de Licks ou de Maltz:

“Eu nem recebi convite do Augusto e do Carlos. Quem me escreveu o e-mail foi um cara [Sandro Trindade] que canta numa banda cover e que está tocando com eles. E aí eu achei que não cabia nem responder. Não quero entrar nesse mundo. É muito autorreferente ficar pensando em ser uma banda cover. Agora, sim, houve várias dessas empresas que entraram em contato. Festivais também. Mas eu estou tão feliz com o que eu estou fazendo e com o tamanho que eu tenho agora. Acho que os guris [Carlos e Augusto] entendem isso também. Fico honrado que eles tenham saudade, mas eu não tenho. Pra mim seria entrar numa gaiola, onde estão me dando alpiste, me dando água. Pô, deixa eu errar um pouquinho, velho. Não quero ter a obrigação de encher arenas todos os dias da semana, não é o meu tamanho. Eu estudava arquitetura, montei uma banda, fiz o meu caminho, escrevo minhas letras complicadas, não sei lá quem entende, toco do meu jeito. Quer dizer, nada contra quem lota arena, mas esse não é meu jogo.”

Humberto Gessinger comentou a respeito da visão atual das gerações mais velhas de que as músicas antigas eram melhores.

“Acho engraçado, ninguém que fala isso se sente responsável pela maneira como o mundo ficou. É como: ‘eu fiz minha parte direitinho, se está uma merda agora não tem nada a ver comigo’. Acho isso um absurdo. Olha o mundo que esse pessoal [mais jovem] está pegando, um mundo de outra velocidade. Eu estou fora dessa coisa de que era bom quando eu jogava bola. cada um tem seu momento com o qual dialogar.”

Indagado se o fato do funk e o sertanejo serem os gêneros musicais mais consumidos não é prejudicial para quem quem fazer rock, Humberto disse:

“Talvez o Brasil seja isso, né? Talvez fosse uma ilusão outro tipo de música iluminar. Eu tenho várias questões quanto ao lado comercial, mas se estivéssemos nos anos 80, meu primeiro disco não estaria disponível, estaria fora de catálogo, mas hoje está aí, acessível. Eu nunca quis fazer parte de nada hegemônico. Faço um trabalho bem específico, está ótimo, consigo acessar meu público, não interessa para mim se estamos no primeiro ou no segundo lugar. Chego ao meu público de uma maneira muito mais direta que nos anos 80. Não tenho a menor saudade daquela época.”

Veja também

Deixe seu comentário

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

PLAYLIST MM

Mais recentes

PUBLICIDADE
- PUBLICIDADE -