Nasi, vocalista do Ira!, relembrou o seu envolvimento com as drogas e seus efeitos devastadores. O cantor contou que a um ponto que não teve outra opção a não ser pedir ajuda. Nasi usou drogas de 1991 à 1997.
Veja o relato do cantor em uma entrevista ao Futeboteco:
“A minha história que eu nunca neguei, eu fui viciado em cocaína de 1991 à 26 de abril de 1997, quando eu entrei numa clínica, depois frequentei grupos anônimos e até hoje, nunca mais recaí.
“Eu usava todo dia. Durante praticamente sete anos eu usei todo dia. Eu vivia para cheirar e cheirava para viver”.
Ele relembrou que ajudou Luiz Thunderbird, um músico, apresentador e ex-VJ da MTV Brasil.
“Eu levei o Thunderbird para a clínica. Eu levei ele para a clínica que eu fiquei. Eu acompanhei ele lá. Ia lá visitar ele. Foi difícl por que a ex-namorada dele fazendo a cabeça dele, por que o Thunder foi para o crack ainda, né? Na época eles chamavam de ‘free base’, e eu graças a Deus parei antes disso, porque isso é avassalador, avassalador.”
O músico lembrou o dia em que percebeu que não poderia continuar mais daquela maneira e reconheceu que precisava de ajuda. Ele já tinha chegado no limite:
“No começo quando a gente usa, é normal com todo mundo, você come, dorme, você transa, entendeu? Você não tem paranóia, pelo menos no começo comigo era assim, depois foi piorando, piorando… E uma coisa é verdade cara, nem sempre a internação involuntária é legal. Com algumas exceções. Eu, como um cara que entende de dependência química, e como dependente químico, eu entendo que certas pessoas que estão na cracolândia, que estão babando na sarjeta, elas têm que ser levadas involuntariamente. Mas no geral se é uma pessoa que está usando que acha que está usando socialmente e a vida está ruindo, você tem que fazer a cabeça dessa pessoa, por que senão ela vai entrar lá vai ficar trinta dias e vai embora, vai sair de lá e vai usar. Dependendo da clínica vai conseguir até dentro da clínica.
Então, a minha vida começou a entrar numa puta decadência. mas decadência da pior espécie que você possa imaginar. Primeiro dinheiro, né? Relação com traficante… Aquela coisa que nossos pais falavam é tudo verdade, tipo, ‘no começo ele te trata bem viu? Depois que acaba o dinheiro, você vai ver’.
E tinha um que era um bandidão, e aí comecei ver a minha casa e a minha vida ruir, eu não tinha mais relacionamento com ninguém, meus relacionamentos não davam certo, por que ou você é casado com a cocaína ou com uma garota.”
O vocalista do Ira! recordou sua relação relâmpago com a atriz Marisa Orth que conheceu o conheceu em seu pior momento:
“Fui pedir desculpa para ela depois. Uma grande atriz, grande pessoa, incrível.”
Nasi prosseguiu com seu relato:
“E aí minha casa, cara, até brinco para vocês darem risada, minha casa estava caindo de cupim, e de pulgas… As pessoas entravam na minha casa, sentavam no sofá, se estivessem com meia branca, ficava tudo preto, de pulgas, e eu não falava nada. Qiando eu chamei a dedetização depois de muito tempo, tinha um quarto dos fundos da minha casa que eu tentei fazer um estúdio na época, os caras falaram que quando entraram lá, sabe Ghostbusters? Disseram que parecia Ghostbusters, uma nuvem viva, era quase como se fosse um ser, entendeu?
“E teve coisas mais pesadas. Eu briguei com esse traficante e não sei como ele não me matou. Cruzei um outro mais chulezinho, e um dia eu briguei com ele porque ele chegou atrasado e ele me deu a cocaína na mão e falou ‘desculpa o atraso, eu acabei de matar duas pessoas’. Aí eu peguei aquilo e falei ‘vou jogar na privada, eu não posso cheirar isso’. Mas eu não joguei, o pior é que eu cheirei. Depois eteve um dia que eu estava deitado na minha cama e subiu um rato. Vocês podem usar isso contra mim que eu não estou nem aí. E se quiser acreditar que eu parei, acreditem se não quiser, coma merda e morra.
Eu vivia como um vampiro, eu dormia quando o sol nascia e acordava quando o sol estava se pondo. Todo mundo acha que tem tudo sob controle e aí quando eu passei por todo esse miserê, eu levantei a mão. Liguei pro meu irmão e falei assim, ‘cara, vamos nessa’. Entrei, fiquei o mínimo, 28 dias, que é o tempo mínimo para você ser avaliado. Tive crises de abstinência, mas consegui ter alta em 28 dias. Saí já fazendo show, fiz um disco do Ira! muito louco que é o ‘Você Não Sabe Quem Eu Sou’. Mas eu tive que ser muito forte, Porque… Palco, estúdio, tudo isso né? Tipo, ‘que vontade’. Mas eu estava tão no propósito, eu frequentava diariamente grupos anônimos, diariamente. E eu consegui passar por isso.”
