A Netflix se viu envolvida em situação delicada após o lançamento da série ‘Todo Dia a Mesma Noite’, que aborda a tragédia da Boate Kiss, onde várias pessoas morreram depois de um incêndio.
O caso aconteceu há dez anos e gerou uma comoção enorme em todo o Brasil. A produção da Netflix tem a intenção de reproduzir de forma fiel o drama que devastou as famílias e explora muito o lado emocional dos espectadores.
Rumores recentes dizem que a produtora não procurou autorização dos parentes das vítimas para produzir a série. Um tipo de entretenimento foi criado e a plataforma pode lucrar com isso, o que acabou por ganhar contornos de revolta e indignação, pois, é uma obra que mexe em feridas ainda não cicatrizadas de muitas pessoas.
A Netflix poderia ser punida juridicamente, caso não seja comprovada a autorização. Isso foi reforçado pela advogada Lorrana Gomes, que afirmou:
“É preciso tomar todos os cuidados possíveis, porque se formos pensar que essas pessoas estão revivendo tudo aquilo, novamente, está trazendo uma memória que já, de certa forma, em alguma medida superada, ela traz danos.
“Então a autorização é primordial, crucial e a ausência pode gerar uma indenização moral às famílias das vítimas e até uma participação nos lucros da série, porque ela relembra momentos tristes aos envolvidos”, concluiu.
Ela também esclareceu que mesmo sendo um entretenimento, e não um documentário, a autorização é necessária, pois, o caso não se aplica em absoluto a liberdade de imprensa, e sim, entretenimento.
“Então há base jurídica para que esses familiares pleiteiem uma indenização moral e participação nos lucros da série. Fora o impacto da série no resultado do júri, que foi anulado e se não for julgado procedente o recurso do Ministério Público, teremos um novo júri. E esse, após a veiculação da série, pode ser um júri, digamos ‘contaminado’, é isso pode interferir no resultado do julgamento, uma vez que o jurado tenha assistido a série”.
Moradores de Santa Maria, juntamente com cerca de 40 famílias de vítimas, se organizaram para entrar com uma ação judicial contra a Netflix, que ainda não se manifestou sobre o assunto.

