Fazer uma continuação de Pantera Negra não deve ter sido fácil. O impacto cultural e a aclamação que o primeiro filme recebeu foi um feito único. Com uma presença inquestionável e superando as expectativas, Chadwick Boseman precisou somente de um filme solo para entrelaçar seu nome ao personagem.

Pantera Negra: Wakanda Para Sempre é um filme cheio de responsabilidades ao lidar com a morte de seu protagonista e em como inserir esse fato, que acaba se tornando outro filme de origem. A origem do novo Pantera Negra.
Ao mesmo tempo em que o longa precisa apresentar o novo Pantera Negra e lidar com o luto de seus personagens, ele também introduz Namor, fazendo o filme ficar arrastado e cansativo.

A irmã do rei se tornar Pantera Negra é politicamente correto mas ela tinha um papel de alívio cômico nos filmes anteriores. Shuri assume o protagonismo e a jornada dela que converte ódio em vingança parece sem sentido. Em determinado momento, ela diz que deseja “queimar o mundo”, sendo que foi uma doença que matou seu irmão, e não o mundo.

As responsabilidades da personagem deveriam ter ido para outra pessoa, alguém realmente convincente como um guerreira habilidosa e experiente. Há tantas mulheres fortes e com um histórico mais heróico como por exemplo Okoye, que parecia ser a melhor opção. Ela tem carisma e força para levar o legado adiante.

Conta com um elenco poderoso. Angela Bassett brilha, Danai Gurira e Lupita Nyong’o conseguem passar um carisma enorme nas cenas de humor e ação, mas transitam naturalmente para as cenas dramáticas. Dominique Thorne, fica encarregada em ser o alívio cômico, ainda que sua adição pareça desnecessária. É um filme dominado por mulheres, de forma que outros personagens acabam sendo ofuscados, com exceção de Namor. O vilão tem uma presença séria, forte e imprevisível.

Entregaram cenas de ação belíssimas, apesar de algumas serem muito escuras prejudicando a beleza da fotografia e a visibilidade. Além de uma trama com bases políticas e um tom mais sério onde piadas surgem nos momentos certos.
Não supera seu antecessor, mas passa uma mensagem sincera sobre como aqueles que se foram ainda nos trazem conforto e proteção.
Entrega com competência as homenagens e o respeito ao legado de Chadwick Boseman.
Redigido por: Julianne Lima
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