Em 1979, o Pink Floyd lançava o álbum “The Wall”, que se tornaria um dos maiores clássicos do rock de todos os tempos. Hoje, quase 46 anos depois do seu lançamento, é impossível pensar em lista de melhores álbuns de rock clássico e não incluir magistral “The Wall”, do Pink Floyd.
A faixa “Comfortably Numb” se tornou uma referência para guitarristas de todo o mundo por causa do icônico solo de guitarra de David Gilmour. Esse solo não fica fora de nenhuma lista de maiores solos de guitarra do rock.
O produtor de “The Wall” era o renomado Bob Ezrin, e ele contou em seu livro “Behind the Boards” publicado em 2012, que a música “Comfortably Numb” quase não entrou no disco. Já pensou nisso? “The Wall” sem “Comfortably Numb”? Ou de uma forma que não fosse exatamente como ela é?
O disco levou quase um ano para ficar pronto, entre 1978 e 1979. As coisas já não iam bem na banda com o relacionamento entre os músicos cada vez tenso e conturbado, além de problemas financeiros. Outro problema estava ao controle criativo.
O conceito de ‘The Wall” veio de Roger Waters, cujas ideias básicas se transformaram nas célebres faixas do disco.
“The Wall” consistia em 26 faixas. Roger Waters escreveu exclusivamente quatro delas. Bob Ezrin escreveu “The Trial”, e David Gilmour coescreveu “Run Like Hell”, “Young Lust” e “Comfortably Numb”.
Veja o relato de Bob Ezrin em seu livro “Behind the Boards”:
“‘Comfortably Numb’ é minha música favorita de ‘The Wall’ por vários motivos. Um deles é que o Dave trouxe essa música com uma letra diferente. É engraçado; eu estava procurando uma música em Ré para preencher aquele espaço onde estávamos contando a história do colapso, e o Dave tinha escrito e trazido ‘Comfortably Numb’.”
A faixa teve que passar por diversas versões até chegar na versão que conhecemos hoje. O trabalho de Ezrin também era analisar o personagem “The Doctor” (O Doutor), que apareceu frequentemente no filme criado para “The Wall” em seus primeiros rascunhos.
Boz Ezrin disse ainda:
“Quando cheguei lá, a maioria das músicas era do Roger, e achei muito importante ter a contribuição dos outros caras, porque eles foram muito importantes para o som da banda no passado. O Dave foi quem realmente se destacou com as coisas. Uma das coisas que ele apresentou foi uma música ótima – nem me lembro como era o nome original – com um refrão fantástico, uma guitarra aguda e uma melodia arrebatadora, mas sem versos e sem um enredo de verdade. Eu disse ao Roger que queria que ele a pegasse e terminasse, e ele não ficou nada feliz.
A ideia dele era que o álbum era dele. Ele ia compor tudo. Ele não gostou da ideia de incluir esse outro material. Mas, para o crédito dele, ele mudou de ideia, e eu perguntei ao Roger se ele escreveria as letras, e no começo ele estava muito irritado e não gostou nada da ideia. Mas ele aceitou o desafio, foi para casa e talvez no dia seguinte tenha chegado com aquele verso inacreditável, e o que eu acho que pode ser a letra mais interessante e culta da história do rock – ‘There is no pain, you are receding, a far distance ship smoke on the horizon’.”
