Pinocchio: uma experiência brilhante e comovente de Guillermo del Toro

Impactante e emocionante! Extraordinário e profundo! São só alguns dos adjetivos que caracterizam o mais recente trabalho do gênio cineasta Guillermo del Toro, “Pinocchio“, lançado em 9 de dezembro de 2022.

A obra é uma belíssima reimaginação animada em stop-motion do clássico infantil de quase cento e quarenta anos, apresentada ao mundo por Carlo Collodi no livro “As Aventuras de Pinocchio” em 1883.

Desde “O Labirinto do Fauno” (2006) este filme animado foi o trabalho de del Toro que mais me tocou. Mas é preciso mencionar que os méritos devem ser divididos com Mark Gustafson, que co-dirigiu ao lado de del Toro.

Dentre todas as adaptações já feitas para “Pinocchio”, esta foi a primeira que realmente valeu a pena cada minuto do meu tempo, cada detalhe da animação parece ter sido feita com o maior esmero do mundo, com a intenção de fazer com que o espectador fique hipnotizado com a beleza de tudo aquilo que está bem diante dos seus olhos.

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O aclamado cineasta também co-escreveu o roteiro, e nos ofereceu a primeira versão de Pinocchio sendo intrepretado por um boneco de verdade. As letras de algumas das canções tocadas no filme também foram escritas por del Toro.

Este belo presente disponível no catálogo da Netflix, é recheado de mensagens, reflexões e metáforas para abordar temas sensíveis como a morte, as guerras, o fascismo, a perda, a superação, a vida após a morte, a ganância e a maldade dos humanos e também as dificuldades da infância.

A animação passeia com muita delicadeza por cada um desses aspectos trazendo ensinamentos e lições que podem ser levadas para a vida.

Os personagens são encantadores e eu, particularmente, me apaixonei pelo Pinocchio questionador, curioso, tagarela, precipitado, doce, corajoso, impulsivo, rebelde e desobediente desta nova adaptação.

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Um ponto que muitos têm discutido é que a obra seja mais voltada para o público adulto e menos para as crianças, dada a sua profundidade. O que não é impeditivo para que muitas crianças entre os seus 8 e 12 anos tenham o mínimo de entendimento do que está sendo apresentado e dito, pois eu acredito que dizer que “não é para crianças” é subestimar a inteligência e a capacidade dos pequenos de identificar o que é bom ou ruim, e se sensibilizarem as situações vistas no filme. A linguagem também não é de difícil compreensão, tudo é passado de forma simples e até mesmo lúdica, para que, inclusive as crianças tenham alguma percepção do que está acontecendo.

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Entrando na história, Geppetto, (David Bradley) é um humilde entalhador que tem um filho adorável chamado Carlo, e que acaba morrendo em um bombardeio durante a Primeira Guerra Mundial. Anos mais tarde, Geppetto ainda não conseguiu superar a morte do filho, e inconsolável, passa a se embriagar como uma maneira de fugir da insuportável dor de sua perda. Em dos seus momentos de embriaguês, Geppeto, amargurado com sua triste vida sem Carlo e assustadoramente surtado, acaba criando Pinocchio (Gregory Mann), um boneco de madeira talhado de um pinheiro cultivado a partir de um cone que havia sido recolhido por Carlo, e onde residia Sebastian (Ewan McGregor), um pomposo grilo falante que também narra a história, e fica responsável por proteger o boneco de madeira depois que uma fada guardiã (Tilda Swinton), dá vida à Pinocchio usando uma magia na tentativa de consolar Geppetto e preencher o vazio que ele sente.

O divertido Sebastian, segue então vivendo dentro do coração de Pinocchio, que é muito desajeitado, um tanto caótico e acaba quebrando tudo que está ao seu redor, devido aos seus movimentos bruscos e impensados, rodopiando e se sacudindo sem qualquer controle. Pinocchio é encantadoramente imperfeito!

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A partir daí, Pinocchio vai entrar nas maiores enrascadas e aventuras na tentativa de conquistar o amor do pai, que inicialmente o rejeita. Ele tenta inocentemente ser como Carlo, com a ideia de que talvez Geppetto possa gostar mais dele.

Em um dos momentos mais tocantes do filme, Geppetto vai à igreja para terminar uma obra inacabada do Cristo de madeira, e ao ver o Cristo pregado na cruz, Pinocchio dirigindo-se ao pai lhe pergunta: “papai, ele é de madeira, estavam cantando para ele, ele é de madeira também… porque gostam tanto dele e de mim não?”

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Em um outro momento na igreja, Pinocchio é indagado por um oficial do fascismo: “quem controla você, menino de madeira?”, e Pinocchio responde: “quem controla voce!?”.

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Isso foi simplesmente demais!

Pinocchio ainda se depara com o conde Volpe (Christoph Waltz), um dono de circo ganancioso e explorador que vê no boneco a oportunidade perfeita para ganhar muito dinheiro e passa a ludibriar Pinocchio com promessas vazias e ilusões. Como se não bastasse, o oficial fascista Podestà (Ron Perlman) também tenta enganar Pinocchio ao perceber que o boneco pode ser útil e servir aos seus interesses.

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A animação é repleta de situações para lá de divertidas com trilhas musicais tão divertidas quanto.

A vida após a morte está presente o tempo todo, e Pinocchio vai e volta muitas vezes do além, mas não irei entrar em detalhes para não entregar demais aqui.

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Na reta final do filme, Geppetto já está completamente apaixonado por Pinocchio e os dois viverão uma aventura cheia de perigo nos mares, ou para ser mais específica, dentro da barriga de uma criatura marinha gigante.

Pinocchio já não quer mais ser como Carlo, ele só quer ser ele mesmo e Geppetto já o ama e o aceita como ele é, e isso os deixa felizes, eles são pai e filho e nada vai mudar isso.

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No final, não pude conter as lágrimas. A emoção toma conta e qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade, pode ser tocada com o desfecho comovente que traz uma bela mensagem sobre os recomeços que a vida pode nos oferecer.

Pinocchio é umas das coisas mais fascinantes que meus olhos já viram quando se trata de obras em stop-motion, se não for a que mais me impressionou. Toda a parte técnica, artística, musical e tudo o mais, foi feita com tamanho primor que o filme pode ser verdadeiramente chamado de ARTE.

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Não sei para vocês, mas para mim, Pinocchio pode ser o mais forte concorrente ao Oscar de Melhor Animação.

Para finalizar, encerro com a frase icônica ditas por várias vezes no filme e que fica ressoando na cabeça por vários dias: “tem que fazer o seu melhor, que é o melhor que você pode fazer”.

Redigido por: Flávia Reis

Instagram: https://www.instagram.com/_begeekeroficial/

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