Ratos de Porão: “os caras viraram nazi de uma hora para a outra. Não dá para trocar ideia com fascista”, diz João Gordo

Durante um bate-papo com o Desce a Letra Show, João Gordo, do Ratos de Porão, foi questionado sobre como ele enxerga a questão do conservadorismo no rock que se “agravou”, após o bolsonarismo.

Veja a declaração de João Gordo, conforme a transcrição do site Be Geeker:

“Eu acho legal que eles inverteram a situação toda né? Agora nós somos do sistema e a gente apoia o sistema. Como a gente apoiou o governo Lula ‘ah, são petistas’. E me cobram uma letra que o Jão fez lá em 2006, esqueci o nome da música, mas uma música nossa que critica o governo Lula, ‘então você falaram…’ mas era uma crítica pro governo.

E agora a gente assumiu o lance de votar, por que eu não votava antes, sempre votei nulo. Mas quando você vê um fascista subindo no poder e com o perigo do fascista ganhar de novo e afundar essa merda que a gente vive chamada Brasil, então eu tive que assumir, ‘eu vou dar o meu voto para o Lula, abertamente, para esse cara não ser eleito’. Talvez tenha dado resultado, sei lá, umas 100, 200, 300 pessoas votaram no Lula por minha causa, e beleza, velho, estamos aí, e o fascista não subiu. Ele perdeu e hoje ele é inelegível.”

João Gordo prosseguiu falando sobre as fake news de bolsonaristas com relação à tragédia do Rio Grande do Sul:

“Então, foi cagada atrás de cagada. Esse lance da tragédia do Sul, os caras fazendo fake news para atrapalhar tudo, isso é vergonhoso de um jeito, isso é baixo de um jeito, que eu nunca vi isso na minha vida.”

João Gordo também falou sobre ser chamado de playboy:

“Eu estou do lado do povão, do lado pobre. ‘Ah Gordo, você é boy”. Boy é o caralho! Eu me fodi pra cacete, tá ligado? Tomei no cú de tudo que é jeito meu irmão, sabe? Eu sou tudo, nunca foi Deus, sempre foi sorte.”

Questionado sobre se ele decepcionou com alguns amigos que escolheram o outro lado, capturados pelo “discurso raso do bolsonarismo”, Gordo respondeu:

“Sim, cara. Família. Tios que eu sempre amei, sempre admirei, que sempre foram exemplo para a minha família, os caras viraram nazi de uma hora para a outra, cara. Apoiar essa merda toda, cegos, surdos e falantes, tá ligado? Acreditando em fake news.

E nada do que se fala tem efeito, por que não dá para trocar ideia com fascista. E foi uma grande decepção na minha vida e hoje em dia eles não falam mais comigo por que eles acham que eu sou apoiador de bandido.”

Gordo comentou sobre ser acusado de “satanista”:

“Cara, é um satanismo cirandeiro [risos] por que é só para provocar idiota, velho! Então eu coloco um monte de capeta, um monte de pentagrama, não é que eu acredito nisso, vou lá e faço missa negra, ‘ah, você está fodido, você vai ter azar, você vai para o inferno’, que vou cara… Mas tudo bem, eu sou muito curioso. Eu não quero ir para o céu onde eu vou trombar o Malafaia, o Feliciano. E também não espero nenhuma salvação pela solidariedade que eu ando fazendo, a gente sempre calhou de fazer isso, e não estou buscando likes nem tão pouco aprovação da galera.”

Sobre o conteúdo lírico das bandas atualmente tem surpreendido roqueiros conservadores, como Rage Against The Machine e Roger Waters, e do próprio Ratos de Porão, Gordo disse:

“Tudo bem, por que o bagulho é em inglês, e a grande maioria do povo não entende picas do que os caras estão cantando. E já no ratos, não. Apesar de não entender picas do que eu estou cantando, por que eu canto gutural, tem a letra ali. Então também é perdoável, por que os caras não sabiam que o Ratos desde 83 é uma banda política.

E o mais legal das letras, lógico que tem letras ridículas e tem letras que são geniais. É que mostra a história do momento, tem a letra do ‘Suposicollor’, que fala que o Collor colocava supositório de cocaína no rabo. Está contando um momento da história. E outras músicas, tem música que fala do Plano Bresser, e ninguém mais lembra do Plano Bresser, Cruzado, sabe? É histórico. Mas eu acho legal que tem professor de História que usa minhas músicas para situar aluno em Faculdade, já vi várias vezes isso.”

Acompanhe a entrevista completa:

Veja também

Deixe seu comentário

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

PLAYLIST MM

Mais recentes

PUBLICIDADE
- PUBLICIDADE -