A edição de 2026 do Rock In Rio já está confirmada como você deve saber a essa altura. A edição passada (2024) deixou muita gente descontente, incluindo fãs de rock/metal e K-Pop. Para os K-Pop foi ainda pior, pois, não tiveram absolutamente nenhum artista que representasse o gênero originário da Coréia do Sul.
Contudo, os fãs de rock/metal ficaram bem insatisfeitos com as poucas bandas de rock que se apresentaram no festival, sem contar que não teve o famoso Dia do Metal que os fãs já estavam acostumados.
Para 2026, as atrações não devem fugir muito do que vimos nas últimas edições, com alguns medalhões como Guns N’ Roses, Green Day e Iron Maiden ou System Of A Down (se houver o Dia do Metal).
Qualquer coisa diferente disso, já será uma grande surpresa, mas não devemos contar muito com isso, já que o festival tem priorizado a diversidade de gênero musicais e seu idealizador Roberto Medina, declarou recentemente que a ideia é mesmo “diversificar” e dar espaço para todos os estilos:
“Sempre procurei diversificar. Tivemos axé, Elba Ramalho… Com a dimensão da música sertaneja, do trap e do funk cada vez mais presentes no streaming e na mídia, é natural que o Rock in Rio, sendo um evento democrático, busque representar esses ritmos.
O festival é uma festa, nunca foi um festival só de rock. Às vezes, o nome gera um pouquinho de confusão, né? Na época que eu criei, rock não era só um estilo, era um estado de espírito, uma coisa meio disruptiva. Essa conversa de que só tinha rock no festival e não tem mais é uma lenda urbana.
Falam que antes era rock e agora não tem mais rock como no início. Não é verdade. Mas isso é bacana, acho que é legal o debate. Isso mostra que as pessoas se importam com o Rock in Rio.”
Indagado se o K-Pop está nos planos para 2026, ele respondeu:
“Não tenho problema algum em ter uma banda de k-pop no Rock in Rio. Não houve coincidência de datas com bandas grandes como Blackpink, mas estamos abertos a essa possibilidade. As datas ainda não casaram e precisamos da intenção da banda vir ao Brasil. Não depende só da vontade do festival. A escolha das atrações não é só minha, ela é baseada em pesquisas e no que o público deseja. Depois, para cada dia, procuramos dividir por faixa etária e por estilo musical, mas nem sempre conseguimos fazer do jeito que gostaríamos.”
Questionado se ele acha que faltou um pouco de rock em 2024, ele disse:
“As grandes bandas de metal e rock pesado, como Metallica, têm agendas muito complexas. Sempre que houver oportunidade, traremos essas bandas. O Rock in Rio tem a vantagem de reunir a maior plateia do mundo, mas também é difícil encontrar bandas que possam atender a essa demanda. No topo da pirâmide, há poucas bandas que podem atrair 100 mil pessoas. São no máximo 30 bandas que podem ter uma performance deste tipo de dimensão. A grande vantagem do Rock in Rio é que ele é o próprio headliner. As pessoas vão ao festival para viver a experiência, não apenas para ver uma atração específica. Temos pesquisas que mostram isso: 50% vai para ver algum artista e 50% vão pelo festival. É emocionante ver pessoas com a marca do Rock in Rio tatuada. Isso não tem a ver com a banda A ou B, mas com a experiência vivida lá.”
Medina revelou seu top 3 de shows da história do Rock In Rio, e refletiu sobre as performances de Axl Rose, do Guns N’ Roses nos últimos anos:
“Meu top 3 tem James Taylor, Prince, que era um monstro no palco, apesar da minha experiência ruim… e tem mais um… que é o Guns. O Axl Rose perdeu um pouco da magia ao longo do tempo, mas ainda entrega grandes shows. Ele é uma entidade na história da música, assim como Frank Sinatra. O Sinatra, mesmo sem a extensão de voz de antes, lotava estádios porque era uma parte da história. O Axl Rose é assim também.
Então, essa preocupação técnica é claro que existe, porque faz parte da construção da crítica, mas se o cara não está com a voz que tinha antes, não importa tanto. Se eu trouxer de novo o Guns, a mídia vai dizer que o Axl não tem mais voz, muitas pessoas podem reclamar, mas vai lotar outra vez. Eu respeito muito quando você passa a ir além da sua música e se torna uma entidade. Os Rolling Stones são um caso raro, uma coisa louca: continua igual! Aí é um mistério como o Jagger continua correndo igual, cantando igual…”
