Van Halen: “quando nosso empresário Ed Leffler morreu, todos os abutres vieram até Eddie, que não era um líder, e nos jogaram um contra o outro, e eu fui expulso da banda”, diz Sammy Hagar

Em uma nova entrevista concedida a AXS TV, o ex-vocalista do Van Halen, Sammy Hagar, falou sobre a sua relação com o vocalista original, David Lee Roth, e relembrou a época em que entrou para a banda, além é claro, de recordar sua amizade com Eddie Van Halen e o pior momento que passou na banda.

“Eu nunca tive muito respeito dor Dave, ele era um bom vocalista desse estilo, mas isso não era nada que eu quis ser quando crescer quando eu dizia que seria um músico. Eu estava olhando para Stevie Winwood, eu estava olhando para Eric Clapton, Jimmy Page, Peter Townson… Esses são eram meus heróis. E então conheço um cara como Dave, nunca foi alguém que eu diria ‘os, eu quero ser assim’, não gosto; e na verdade, Dave, o que eu descobri mais tarde, estava realmente interessado em mim em Montrose, você sabe que eu tive aquele cabelo comprido antes do Van Halen, e os caras do Van Halen estavam olhando para o Montrose como se quiséssemos ser como esses caras. Certo, mas ele tomou um rumo diferente, e é difícil pra mim lembrar, mas quando entre naquela sala com Eddie, Alex, Michael e Van Halen, antes daquele show, eu disse ‘vamos ver o que esses caras têm’, você sabe que eu não gostei daquela banda necessariamente; eu disse que gosto da guitarra de Eddie, ele é um gênio, certo. Mas não gosto da imagem deles, não quero ser assim, então, vamos ver o que eles querem de mim e quando começamos a tocar e eu comecei a cantar eles estavam olhando para mim tipo “uau! você consegue atingir aquela nota?’ eu ‘sim!’. Eles, ‘quando você puder fazer isso, você esperar um minuto?’. E então Eddie passa pelo teclado, e diz’ ei, o que você faria com isso?’. E nós, você sabe, olhe, estou ficando arrepiado porque foi tão mágico que foi tipo ‘uau!’ e eu estou olhando para ele, ‘você pode tocar aquele teclado assim, você sabe bem, vamos escrever essa música’. E nós éramos como crianças e ficamos loucos e nem consideramos nada que qualquer um de nós já tivesse feito.”

Ao relembrar da sua chegada à banda, Sammy Hagar conta o que achou de David Lee Roth:

“Eu não estava acreditando, havia algo falso nele, eu sei que os antigos fãs do Van Halen não acreditariam se eu tivesse dito isso no começo, teriam me crucificado, mas ele era o inimigo; Eddie e todos eles odiavam Dave naquele momento, e diziam ‘você sabe que ele saiu da banda, ele nos deixou em paz, agora Sam é nosso herói’, você sabe, e agora me sinto confiante em dizer que ele era um showman, ponto final, ele era um grande showman e sabia tocar piano. Ele tinha uma boa forma, ele tinha sua dancinha, e ele tinha seu rap, mas cara, isso é Van Halen, isso é música, música de verdade, você conhece Eddie, um dos maiores gênios musicais do rock de todos os tempos, e você vai cantar essas coisas, você deveria colocar alguma coisa aí; e não estou com ciúmes, mas você sabe, não gosto do cara, não gosto dele. Ele fez uma turnê comigo, fizemos a turnê de Sam e Dave e saímos por um tempo.”

Ao ser questionado sobre a melhor coisa que poderia dizer sobre David Lee Roth, Sammy diz:

“Ele era um grande showman, como você conhece, as primeiras coisas do Van Halen, ele realmente ajudou a mostrar Eddie ao mundo com suas antics, ele chamou a atenção e então eles perguntaram, ‘quem é aquele guitarrista?’. Então deixe-me dizer algo sobre aquelas primeiras músicas; elas eram ótimas liricamente, mesmo tão bobas quanto ‘Jump’, acertou em cheio, quando eu ouvi aquela música no rádio, eu disse, ‘caramba! Aqueles caras fizeram isso de novo!’. Eddie era tão brilhante que você poderia gritar e gritar por cima e isso seria bom porque ele inventou algo que era único para o seu ouvido, então quando você ouvia uma música do Van Halen, e você ouvia um daqueles riffs de guitarra, aquele era brilhante e divertido, e então todo mundo gostou, as meninas gostaram, os caras gostaram, e então posso dizer que Dave fez parte disso e ele merece todo o crédito do mundo.”

Sobre a pior que lhe aconteceu quando estava na banda, Sammy Hagar revela:

“Foi antes da reunião, por que a reunião foi algo que nem foi registrado em nenhuma história do rock and roll, foi tão bizarro… mas no final, nosso empresário, meu querido amigo e mentor, Ed Leffler, que era meu empresário quando entrei no Van Halen, e durante 10 anos da minha carreira, ele administrou o Van Halen até 1995, quando ele morreu de câncer. E quando ele morreu foi como se a banda tivesse desmoronado, e todo abutre de todo o mundo veio até nós, todo empresário do planeta, todo promotor; e todo mundo foi até o Eddie, o cara que nunca abriu a boca, que não era um líder de qualquer forma, eu era o líder daquela banda, David Lee Roth era um líder, eles vieram até Eddie e diziam ‘você vai deixar esse cara comandar sua banda?’. Você sabe, por que eu diria ‘foda-se! dê o fora daqui. Você sabe o que eu quero dizer, nós não vamos com você!’. Eu diria aos caras, ‘não vamos falar com aqueles idiotas, eu sei quem são essas pessoas’. Mas eles foram até o Eddie e nos colocaram um contra o outro, e eu fui expulso da banda, e eles conseguiram um novo empresário que entrou pela porta dos fundos, e ele entrou e envenenou os outros caras e assim que eu fui embora, tudo foi bombardeado e tudo o que ele tinha em mente foi por água abaixo. Eles o demitiram e foi um caos desde então.”

Questionado sobre a reunião desastrosa de 2004, Sammy Hagar, diz que foi a pior experiência de sua vida, e explicou:

“Eddie estava completamente maluco com álcool e drogas e, coitado, ele estava realmente em péssimo estado, pensei que ele fosse morrer. Vá no Youtube e procure uma música da reunião de 2004, você pode até reconhecer a música, mas havia noites em que ele começava a música e eu olhava para Mike e olhava para Alex e todos nós estávamos olhando para o setlist e víamos que não era a mesma música, ele brincava, e era era difícil… eu tentei desistir depois de uns 40 shows e tínhamos 80 shows, nós fizemos um contrato e eu tentei e disse, ‘eu não posso mais fazer isso’, você sabe que o cara vai morrer primeiro todas as noites, seria como seu sentasse no meu camarim e esperasse até ouvir a guitarra dele tocar e então eu olho para Mike e digo que ele está lá em cima, foi esse tipo de negócio, e então tocamos e foi horrível, ele fez coisas horríveis com as pessoas, ele tratou as pessoas tão mal que ele era um corvo maníaco que eu nunca conheci, uma pessoa assim na minha vida tentando quebrar janelas de um avião G5 a 4.000 pés com uma garrafa de vinho, jogando vinho por todo o teto, e nem era o nosso avião, era um avião alugado, você sabe, chutando pára-brisas de carros, virando o quarto de hotel de cabeça para baixo, usar as mesmas roupas nos palcos por 5 dias, fora dos palcos, você sabe, andando sem camisa quando estava frio e nevando, sem dentes, quero dizer, foi horrível, eu só não sei como ele chegou a esse ponto. E quando eu tentei pedir demissão, havia um advogado que redigiu um contrato que assinei e que dizia que eu teria que pagar a esses caras por todo o dinheiro que eles perderiam, e então eu aguentei, e não reagi, não falei com o cara desde então, e ainda tenho um sentimento ruim sobre o que aconteceu naquela época. Mas graças a Deus, Eddie se recompôs, ele não viveria nem mais um ano, e acho que na próxima turnê que ele fez ele acabou em um hospital, mas Eddie é um ser humano doce, talentoso, um cara doce de coração maravilhoso, ele tinha alguns demônios, e ele não é a única pessoa que eu conheço assim, mas quando vi aqueles demônios tomarem conta dele, foi lamentável, porque ele era aquele que quando nos dávamos bem, ele era o um dos melhores amigos que já tive. Triste.”

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