Megadeth: David Ellefson defende ‘Risk’, “ainda é um dos nossos grandes álbuns”

David Ellefson, ex-baixista do Megadeth, afirma que não se arrepende de nada em relação ao álbum “Risk” de 1999, e não mudaria nada. Ele defende que o polêmico disco “ainda é um dos grandes trabalhos do Megadeth. Em uma nova conversa com Oran O’Beirne do Overdrive.ie, Ellefson disse:

“Eu acho que, com o ‘Risk’, no Megadeth, escrevemos a maior parte do álbum durante os ensaios, depois fomos para Nashville e o finalizamos no estúdio, sem dar tempo para ele amadurecer e realmente se fixar em nós.

“Aqui está o que eu descobri: se você não é fã da sua própria música primeiro, é difícil convencer outra pessoa a ser. E esse álbum simplesmente não… E agora, ouvindo novamente, ele ainda continua sendo um dos grandes discos do Megadeth, mesmo que não soe como os álbuns anteriores da banda. Mas não tivemos tempo suficiente para deixar isso nos impactar. E, de repente, já estávamos na estrada tocando essas músicas e foi tipo, ‘Ah, droga. Essas músicas não estão realmente conectando tanto.’ Ter o tempo para deixar o material se impregnar…

“O Jeff Young defende muito essa ideia de que somos criaturas analógicas, e é por isso que a música digital não nos toca da mesma forma e não permanece conosco.”

Mas, será que David Ellefson faria alguma coisa diferente com relação ao “Risk” se ele pudesse voltar no tempo? Veja o que ele respondeu:

“Não, porque você teria que começar tudo de novo. Você teria que voltar para a sala de ensaio.

“Aqui está o resumo da história: nosso empresário na época estava realmente pressionando a gente para nos aprofundarmos mais nessa abordagem de rádio, uma abordagem que funcionou muito bem em ‘Cryptic Writings’, porque dissemos: ‘Vamos fazer um terço do álbum… Precisamos reinventar a banda de uma forma que seja competitiva com o que está acontecendo ao nosso redor.’

“Existe um formato de rádio aqui nos Estados Unidos chamado Active Rock, e agora bandas como Disturbed, Shinedown, Godsmack, e Halestorm dominam esse formato. Tivemos algum sucesso com isso, com ‘Symphony Of Destruction’ e ‘Sweating Bullets’ e coisas assim no início dos anos 90.
E, com ‘Cryptic’, um terço [das músicas] era para rádio, um terço metal, um terço meio que experimental, e funcionou. Foi a abordagem certa. Com ‘Risk’, houve essa pressão muito grande, tipo, ‘Se um pouco é bom, mais deve ser melhor.’ E nossa atitude era, ‘Quando chegarmos a Nashville [para fazer o álbum], vamos esmagar essas músicas de metal. Isso vai ser fácil. Sem problemas.’

“E a verdade é que gastamos tanto tempo criando as outras músicas para o álbum que não tivemos realmente o tempo ou o foco para fazer as músicas de metal que o disco deveria ter para equilibrar. Então, acabou sendo um álbum mais voltado para o rádio. E, admitidamente, há uma parte que não incluímos, simplesmente porque ficamos sem tempo, foco e energia. E isso é responsabilidade nossa, com certeza.

“Acho que o que aprendemos foi, e depois em ‘The World Needs A Hero’, começamos a reorientar o rumo da banda, que precisamos gostar das músicas. Se nós gostamos, haverá um monte de outros malucos como nós que vão gostar também. Então, vamos focar nesse público, em vez de tentar atrair uma tribo da qual não fazemos parte e que talvez nunca nos aceite. Vamos fortalecer nossa tribo. Porque, no fim das contas, é assim que o Megadeth e o thrash, nosso gênero, cresceram.”

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