Regis Tadeu: “Rock In Rio é uma Disneylândia de gente deslumbrada. Não é nem um festival de música mais”

O crítico, jornalista e produtor musical, Regis Tadeu, participou do Opinião Litoral para falar sobre os quarenta anos do Rock In Rio e, afirmou que atualmente o Rock In Rio já não é nem um festival de música, se comparado às primeiras edições. Além disso, Regis fez questão de frisar que o festival, criticado por roqueiros do Brasil inteiro, nunca foi um festival exclusivo do rock.

Acompanhe a declaração de Regis:

“O primeiro Rock In Rio já não era um festival de rock, exclusivamente. Vamos lembrar que nós tínhamos Ney Matogrosso, James Taylor, Elba Ramalho, George Benson… Então, havia ali em determinados dias, atrações que não eram necessariamente de rock. É claro que o primeiro Rock In Rio foi onde teve a predominância, inclusive das atrações internacionais. Só que hoje, o Rock In Rio, nem é um festival de música. Pensa um pouco… Não é um festival de música.

Por que a maioria das pessoas vai para o Rock In Rio com o mesmo espírito que as pessoas vão para uma balada. A música ali, é apenas um acessório, fica no segundo plano. O que o pessoal quer mesmo no Rock In Rio, é ficar ganhando brinde de empresa patrocinadora, ficar andando de tirolesa… A fila da tirolesa é muito maior que a plateia de certos shows.

Então hoje, mais do que em qualquer outra época, o Rock in Rio é um evento, ele é uma Disneylândia de gente deslumbrada, de hipster, de gente que está muito pouco preocupada com a música, e muito mais preocupada em aparecer nas redes sociais, dizendo que esteve ali.”

Em seguida, Regis Tadeu acrescentou:

“Você tem o Rock In Rio Lisboa, você quer piada maior que o Rock In Rio Lisboa? Mas por quê? Porque a marca Rock In Rio é muito forte.”

Monopólio dos Grandes Festivais

Regis observou que os principais festivais de música que acontecem no mundo hoje, pertencem a uma mesma empresa. Segundo ele, “os festivais são eventos corporativos disfarçados de festival de música.”

Ele disse: “E não podemos esquecer do seguinte: Hoje, nós temos uma profusão de festivais gigantescos como o Rock In Rio, o The Town, que é o Rock In Rio de São Paulo; Temos o Coachella, nos Estados Unidos, o Lollapalooza… Todos esses festivais pertencem a uma mesma empresa, que é a Live Nation.

A Live Nation é uma empresa que detém o monopólio mundial, e isso precisa ser dito, a Live Nation ela tem uma tirania na organização desses imensos festivais… Pode reparar que nos festivais são sempre as mesmas atrações ao redor do mundo. Por que? Porque os artistas, a maioria, os do Rock In Rio, por exemplo, a maioria é fornecida pela Live Nation.

E o Rock In Rio hoje é da Live Nation, não é mais do Medina. Então, a Live nation monta esses festivais ao redor do mundo, com casts gigantescos e, a maioria são artistas contratados da Live Nation.

Então os festivais são eventos corporativos disfarçados de festival de música. Você vai no Rock In rio, por exemplo, você vê stand de banco, stand de não sei o que… Brinde de não sei o que lá… E é isso aí.”

Assista na íntegra:

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