O vocalista do Ira!, Nasi, comentou a respeito da polarização política no Brasil que chegou à níveis extremos, inclusive, com o próprio expulsando fãs “bolsonaristas” de um show recente do Ira! em Belo Horizonte, chegando a, inclusive, pedir para que eles não frequentassem os shows da banda nem comprassem seus discos. Sim, a polarização chegou nesse nível no Brasil.
Mas veja o que disse Nasi, e uma uma entrevista à Veja:
“Nem todo mundo que votou no inelegível é reaça. Foi uma opção política do momento. Mas todo reaça, vota no inelegível. Existem pessoas democráticas de direita. É normal. Existem pessoas conservadoras e que são democráticas. Esse é o jogo da política. Mas gente que quer impunidade para aqueles fatos [ataques de 8 de janeiro], como se aquilo tudo fosse uma grande festa, é uma desfaçatez. Querem tratar nós, o povo brasileiro, em sua maioria, como idiotas.”
Ele acrescentou:
“Não quero que a nossa música divida as pessoas, mas eu acho que a música serve, sim, para ser porta-voz do pensamento da maioria ou pelo menos da maioria dos fãs de determinado artista. As bandas são feitas de pessoas. E pessoas são diferentes. Há pessoas conservadoras, reacionárias e de extrema-direita. Você não consome um artista só pela canção dele, mas por todo significado que ele tem, a história que ele tem e o que transcende a ele.”
Refletindo sobre os cancelamentos de quatro shows em Jaraguá do Sul, Blumenau, Pelotas e Caxias do Sul, o roqueiro disse:
“Tem artista aí que está respondendo por suspeita de lavagem de dinheiro e ligação com narcotráfico. Tem outro que foi condenado pelo Ministério Público por ofender uma garota de 11 anos estuprada. Agora parece que virei o bandido da luz vermelha. Chegamos ao ponto de ter que tirar a agenda de shows do nosso site para não dar milho ao bode. Isso é terrorismo, pura e simplesmente.
O rock nasceu e se expandiu como uma música que questionava e mudava paradigmas. Com Elvis Presley e sua sexualidade que revolucionou aquela juventude do pós-guerra, por exemplo. Sempre houve um artista que quebrava os paradigmas da geração anterior e isso não só em termos de política, também em termos de comportamento e de sexualidade, de moda. Agora, se tem artistas que se posicionam de uma maneira completamente anti-rock, eu não tenho culpa. Nem eu, nem a Legião Urbana, nem os Paralamas, nem os Titãs, nem o Barão Vermelho.”
Entrevista completa: https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/nasi-sobre-polemica-do-sem-anistia-querem-fazer-brasileiro-de-idiota/
